Petróleo mais caro não deve afetar preço da gasolina
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Das Agências De São Paulo 
A alta do preço do barril de petróleo no mercado internacional não deverá afetar o segmento de combustíveis brasileiro, afirmou ontem o presidente do Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis, Alisio Mendes Vaz. Ele acredita que o presidente Fernando Henrique Cardoso cumprirá o que anunciou, ou seja, não haverá novos aumentos de combustíveis no primeiro semestre deste ano.
O preço do barril de petróleo tipo WTI produzido nos Estados Unidos e cotado pela Nymex (New York Mercantile Exchange, ou Bolsa de Mercados Futuros de Nova York) abriu ontem em US$ 30,13, e às 10h56 (hora de Brasília) estava com a mínima de US$ 29,72 e máxima de US$ 30,25, para contratos em junho.
Não se sabe se há folga no fechamento das contas públicas, por isso é difícil avaliar se em junho o preço dos derivados poderá ter variação no mercado interno, afirmou Vaz. O fechamento de contas diz respeito à Parcela de Preço Específico (PPE), que o governo aplica ao preço dos derivados do petróleo no mercado interno para formar caixa a fim de amortizar parte das dívidas públicas interna e externa.
Consultada, a Petrobras informou que não pode se manifestar sobre preços. Há cerca de dois meses, o presidente Fernando Henrique proibiu a estatal de se referir a essa questão, passando ao Ministério de Minas e Energia a missão de conceder a informação.
Solicitado a explicar o que pode ocorrer no mercado interno a partir da alta do barril para contratos futuros, os técnicos do Ministério ainda não deram entrevista. Para uma das multinacionais do petróleo com escritório no Rio de Janeiro e interesse nas áreas para exploração licitadas pela Petrobras, no País, os altos e baixos da cotação atual em nada interferem nos planos das gigantes do setor. Elas produzem estudos que projetam oferta e procura para sete a dez anos ou mais, e por isso a cotação atual do barril em nada influencia em suas decisões.
PetrobrasPara a Petrobras, a alta da cotação internacional do petróleo significa aumento de receita. A estatal importa apenas 25% do que o Brasil consome em derivados de petróleo, mas vende 100% dos produtos ao preço internacional. O custo de exploração e produção de petróleo no Brasil é de US$ 2,95 por barril. Somado ao custo de refino, de US$ 1,07, o barril do petróleo brasileiro sai por US$ 4,02.
Na venda de todo o produto ao preço internacional (ontem, em US$ 30,25 o barril), uma fatia de 75% do total dá lucros de US$ 26 por barril à Petrobras. A Petrobras importa 25%, mas aumenta em 100% sua receita, porque vende tudo ao preço internacional, ratifica o analista da área de petróleo do Banco Pactual, Luiz Otávio Laydner. Quem ganha com isso é o próprio governo federal, que detém cerca de 80% das ações da empresa.


