Petróleo jorra na área pré-sal
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terça-feira, 02 de setembro de 2008
Leonardo Goy<br> Agência Estado 
Vitória - Durou cerca de uma hora a solenidade na plataforma da Petrobras P-34, no litoral do Espírito Santo, que marcou o início, ainda que em pequena escala, da extração do óleo da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho. O acesso de repórteres à plataforma não foi permitido, por motivo de segurança, mas pela transmissão de imagens da TV interna da Petrobras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou com muito bom humor o evento.
Mais tarde, em Vitória, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recorreu ao escritor Monteiro Lobato para traduzir o momento vivido pelo País. ''Voltamos ao Sítio do Pica-pau Amarelo. O sítio é o Brasil e a Petrobras achou petróleo atrás do galinheiro'', disse em referência ao livro ''O poço do Visconde'', no qual a Dona Benta diz para Emília: ''me belisca, me belisca. Este sítio é um sonho'', reproduziu Dilma acrescentando que Dona Benta estava surpresa por ver jorrar petróleo de trás do galinheiro.
Ainda na plataforma, Lula retirou a primeira mostra do óleo e guardou em um pequeno barril transparente. Depois, extraiu mais uma mostra de petróleo, desta vez em recipiente aberto, e a ofereceu aos ministros. A primeira a pegar foi Dilma, que testou a viscosidade com os dedos, e cheirou o óleo. Lula também cheirou o óleo, besuntou as duas mãos, marcou com elas o seu próprio macacão, na altura da barriga e começou a marcar também os macacões dos outros convidados - o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, Dilma e Edison Lobão (Minas e Energia).
Lula e sua comitiva embarcaram então, de helicóptero, da plataforma, e voaram 77 quilômetros para chegar à Vitória, onde participaram de um ato público sobre o início da exploração do pré-sal.
Facilidades Operacionais
Embora a Bacia de Santos concentre as maiores expectativas em torno da produção de petróleo e gás abaixo da camada de sal, a Petrobras optou por iniciar a produção das novas descobertas no Espírito Santo. A explicação vem das facilidades operacionais na região, que já produzia petróleo de jazidas acima do sal, ao contrário da região em torno de Tupi.
O poço produtor do pré-sal acionado oficialmente ontem foi interligado à plataforma P-34, que estava instalada na região, para a produção do ''pós-sal'' de Jubarte. Já para testar as reservas de Tupi, a estatal teve de encomendar uma plataforma no mercado internacional, que só chega ao Brasil no ano que vem.
A chamada região do pré-sal da Bacia de Santos - que, além de Tupi, concentra os projetos Carioca, Júpiter, Iara, Caramba, entre outros - tem potencial de reservas bem superior ao estimado para o Espírito Santo. Mas, por outro lado, Santos apresenta desafios também superiores. Lá, as jazidas estão localizadas a 300 quilômetros do continente, em lâminas d'água (distância entre a superfície e o fundo de mar) superiores a 2 mil metros. No litoral capixaba, a distância para a base terrestre não chega a 80 quilômetros.
Em 2010, a Petrobras pretende iniciar um projeto piloto de produção em Tupi, com capacidade para extrair 100 mil barris por dia. A produção em grande escala na região deve ser alcançada em meados da próxima década e pode chegar a mais de 1 milhão de barris por dia, caso os testes confirmem as avaliações preliminares.


