Petróleo em alta não encarece combustíveis
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011
Mônica Ciarelli e<br>Nicola Pamplona<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A atual escalada do preço do petróleo não deve resultar em aumentos nos preços da gasolina e do diesel no País. A opinião é de analistas consultados pelo Grupo Estado, para quem a Petrobras vai manter sua estratégia de acompanhar o mercado internacional a longo prazo. Ainda mais em um momento em que a inflação se torna motivo de preocupação para o governo. Ontem o petróleo Brent, negociado em Londres, fechou em US$ 101,74 por barril, por causa de preocupações com a crise política no Egito.
O analista de petróleo do Banco do Brasil, Nelson Rodrigues de Mattos destacou que a Petrobras vem mantendo, nos últimos dois anos, os preços da gasolina e do diesel, estratégia que não deve ser mudada por causa de um ''episódio pontual'' que pressiona os preços internacionais. Segundo suas contas, os valores praticados pela estatal brasileira estão hoje 2% inferiores às cotações americanas. Nos últimos dois anos, os preços internos estiveram mais caros.
''Não acredito que, no primeiro momento em que há uma defasagem para baixo, a Petrobras eleve os preços.'' Para o analista, a Organização dos Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep) deve atuar para reduzir a pressão sobre o barril de petróleo neste momento de conflito. Essa alta, observou, se prolongada, poderia retardar a recuperação da economia mundial.
O Egito tem importância estratégica no transporte de petróleo entre o Oriente Médio e a Europa. Por isso, o Brent está mais pressionado que o WTI, negociado em Nova York, que ontem fechou a US$ 99,07 por barril.
O analista de petróleo da Geração Futuro, Lucas Brendler, também aposta em manutenção no preço da gasolina e diesel no mercado interno - mesma opinião do Copom, segundo a ata da última reunião do conselho. Além de serem produtos com maior influencia sobre a inflação, o analista também aponta a estratégia de focar no longo prazo como um empecilho para uma subida de preços. Para Brendler, a Petrobras só teria mais interesse de elevar os preços caso o valor do preço do barril se mantenha pressionado por mais tempo.
Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, a manutenção dos preços internacionais em níveis mais altos é um risco real. ''O petróleo já vinha subindo desde o fim do ano passado porque todos esperam uma recuperação mais rápida da economia mundial. E a oferta de petróleo não vai crescer muito este ano'', comenta ele, que já previa cotações em torno dos US$ 100 por barril no segundo trimestre.
Pires, porém, concorda que os preços da gasolina e do diesel devem ser mantidos, mesmo com o petróleo mais caro, por causa do impacto inflacionário dos produtos. Ele lembra, por outro lado, que a estatal tem uma política de reajustes mais frequentes para outros produtos, como querosene de aviação, nafta petroquímica e óleo combustível, cujos preços devem sentir os efeitos da crise política no Egito.


