Petróleo em alta deve reduzir superávit comercial
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quarta-feira, 03 de abril de 2002
Agência Estado 
Brasília A alta do petróleo dos últimos dias levou economistas do governo e do mercado financeiro a tentar medir o reflexo das cotações na balança comercial. O governo ainda não fala em números e prefere esperar para ver se o choque será revertido ao longo do ano. Analistas de mercado acreditam que haverá redução no superávit previsto para os meses de abril e maio, mas acreditam que isso poderá ser compensado com a queda na preço do produto no segundo semestre.
Segundo a economista-chefe do BES Investimento do Brasil, Sandra Utsumi, a expectativa é de que o superávit caia de uma faixa entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões para cerca de US$ 400 milhões neste mês e no próximo, devido ao aumento do volume de importações. A desvalorização do câmbio ajuda a compensar parte da alta da cotação do petróleo lá fora. É difícil mensurar exatamente o custo disso para o resultado da balança comercial no ano, mas a crise vai ter efeito nos próximos meses.
Ainda assim, segundo ela, o choque é visto como transitório e a previsão de superávit comercial de US$ 4,5 bilhões para ano não está sendo revista. O governo trabalha com superávit de US$ 5 bilhões para 2002. Nos três primeiros meses do ano, o saldo comercial está positivo em US$ 1 bilhão.
Apesar de ter conseguido reverter a dependência da produção externa, cerca de 30% do petróleo consumido no Brasil ainda é importado. No anos 70 e 80, essa dependência beirava os 70%. Mesmo com mais tranquilidade, a oscilação do preço tem reflexo na economia.


