O preço do barril de petróleo chegou ontem a US$ 36, seu valor mais alto desde a invasão do Kuwait por tropas iraquianas em 1990, e fechou em US$ 35,92 no mercado de futuros de Nova York. A alta é motivada pela atual tensão entre o Iraque e Kuwait e medo causado pela tormenta tropical que se aproxima da região dos Estados Unidos próxima ao Golfo do México, que pode causar uma redução na produção local e danos nas instalações petrolíferas.
A cotação do barril de referência (light sweet crude), para entrega em outubro, aumentou US$ 1,85 atingindo US$ 35,92. Anteontem, a alta foi de US$ 0,25 chegando a US$ 34,07.
A tensão aumenta entre o Iraque e o Kuwait, já que o primeiro acusa o país vizinho de roubar seu petróleo. O governo do Kuwait se defendeu desta acusação, e os Estados Unidos advertiram Bagdá ontem. ‘‘Há dez anos, vemos (o presidente do Iraque) Saddam Hussein fazer periodicamente fortes declarações. Ele deveria saber claramente que ainda estamos firmemente decididos a deter sua capacidade de prejudicar seus vizinhos e de reconstituir suas armas de destruição em massa’’, declarou ontem o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart.
Ontem o co-presidente holandês do grupo petroleiro Royal Dutch/Shell, Jeroen Van der Veer, estimou que não se deve esperar uma queda do preço do combustível antes de fevereiro.
A alta dos preços do petróleo, combinada com a forte imposição fiscal nos países europeus, continua provocando protestos na Europa. O ministro britânico do Interior, Jack Straw, defendeu esta sexta-feira a intransigência do governo, que pôs fim ao conflito sobre o preço da gasolina sem ceder nada aos manifestantes. A firmeza de Tony Blair inspirou o Primeiro-Ministro belga, Guy Verhofstadt, que não cedeu às pressões dos caminhoneiros por uma redução dos impostos.
A mais radical das três federações de transportes capitulou na noite de quinta para sexta-feira, após cinco dias de conflito. Os protestos que se espalharam pela Europa começaram pela França, onde na semana passada os caminhoneiros, taxistas e agricultores arrancaram importantes concessões ao governo.
O governo italiano aceitou também esta sexta-feira reduzir os impostos em 0,06 euros por litro para os caminhoneiros.
A mobilização continuava em vários pontos da Europa esta ontem. Na Holanda, mais de 250 caminhoneiros desfilaram com calma em Haia, num protesto dos sindicatos dos caminhoneiros, cujos representantes entregaram uma petição durante o dia ao ministério das Finanças. Paralelamente, numerosos caminhoneiros organizaram barricadas, provocando importantes engarrafamentos em todo o país.

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