Preços do petróleo e índices de inflação brasileira devem monopolizar as atenções de investidores nesta semana. Executivos de empresas também mantêm cauteta a adiam decisões importantes. Na próxima quarta-feira sai o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), e a expectativa é que a inflação de março seja de 0,5%, superior à de fevereiro (0,36%).
A partir daí, o mercado deve ficar em compasso de espera para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), no dia 17, quando o Banco Central decide se a taxa básica de juros da economia, a Selic, vai ou não continuar em 18,5% ao ano.
Esta semana de espera pode deixar a Bolsa sem tendência definida para os próximos dias.
‘‘Não deve ultrapassar os 13.700 pontos, nem os 13 mil pontos. Quando bateu em 13.050 há alguns dias, apareceu compra. Cair mais, só com uma notícia muito negativa, como uma alta muito acima da esperada no IPCA’’, diz Jorge Simino, da Unibanco Asset Management.
O humor na Bolsa, que já não vinha bom, acabou de azedar com a alta dos preços internacionais do petróleo. O temor de um repasse do aumento da gasolina para os preços reduziu a expectativa de novo corte da Selic.
‘‘A oito dias úteis da reunião do Copom, a maior parte do mercado já não espera, como há um mês, redução de meio ponto percentual, e sim que a decisão fique no zero a zero’’, afirma Simino.
Para uma parcela de analistas, porém, ainda há fatores que podem manter a marcha lenta e gradual de redução da taxa.
O recuo no preço do barril, que fechou a semana a US$ 26,21, depois de ter atingido US$ 28 no período, e a estabilidade do mercado de juros, que na sexta-feira também fechou em queda (nos contratos de prazos mais curtos), reforçariam a opção pelo corte.
‘‘O Banco Central sabe que, se o preço do petróleo chegar a R$ 40, não haverá alta de juros que contenha o aumento da gasolina’’, diz Carlos Otero, da Bradesco Asset Management (Bram).
O repasse da alta da gasolina para os preços livres - o efeito secundário, fundamental para a decisão do Copom - só ocorreria, segundo Otero, no ano que vem.
Para a equipe de pesquisa do BBV Banco, ‘‘apesar do desaquecimento do mercado de trabalho e da queda dos salários reais nos últimos 12 meses, não se pode subestimar os efeitos secundários pela pressão nos preços de bens não-duráveis, como alimentos e remédios’’.
A pressão inflacionária, segundo Simino, da UAM, acontece ‘‘no melhor momento possível. A tensão com o preço do petróleo acontece quando pelo menos uma parcela de itens de alimentação está em deflação. Mas este efeito desaparece em junho. E aí, será mais difícil promover cortes da Selic’’.
‘‘Se mais tarde fosse mesmo pior para reduzir os juros, seria melhor não cortar agora. Mas não existe isso de neste mês pode cortar, no outro não’’, discorda Otero, que vê 60% de chance de o BC reduzir 0,25 ponto percentual da Selic pela terceira vez neste ano.
Índices de preços são destaque na agenda. Hoje sai a primeira prévia deste mês do IGP-M; na terça-feira, o IGP-DI de março; na quarta-feira, o INPC de março, além do IPCA -o mais aguardado de todos eles. E na quinta, o IPC.
Nos Estados Unidos, a safra de resultados das empresas no primeiro trimestre pode trazer turbulências.
‘‘Qualquer resultado que venha como previsto ou um pouco abaixo do esperado será suficiente para as Bolsas caírem’’, diz Simino.

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