Agência Folha
Do Rio de Janeiro
A bacia de Santos se tornou o principal alvo da indústria internacional de pesquisas no Brasil desde que a Petrobras anunciou a descoberta de um megacampo de petróleo naquela região, em setembro do ano passado. Dos 11 pedidos encaminhados à ANP (Agência Nacional do Petróleo) por empresas interessadas em mapear a bacia de Santos, 7 entraram de setembro para cá, dos quais 4 tinham apenas essa bacia como alvo. O interesse mais que dobrou e a bacia de Santos já ocupa o posto de mais assediada do país, à frente da bacia de Campos, o eldorado petrolífero brasileiro.
Com a proximidade da segunda rodada de licitações da ANP, que deve ocorrer em junho ou julho, quando estarão ‘‘à venda (são concessões, na verdade) 27 áreas para exploração de petróleo e gás, essas pesquisas se intensificaram e movimentam os bastidores das negociações pré-leilão. As pesquisas sísmicas são uma espécie de radiografia do solo, plana ou tridimensional. Conjugadas com outras informações, indicam onde é maior a chance de se encontrar petróleo, um negócio arriscado e de longo prazo. Esse mercado foi aberto a empresas nacionais e estrangeiras no início do ano passado e agora esses dados são vendidos livremente, para, posteriormente, integrarem o banco de dados da agência.
A ANP já concedeu 19 autorizações a 11 empresas interessadas em ‘‘varrer as áreas marítimas, que foram ou serão leiloadas. Uma autorização pode abranger mais de uma bacia. Os destaques são Campos (com 10 autorizações) e Santos (com 11). ‘‘Santos já é a bola da vez, apesar de Campos continuar com a importância que tem’’, resume o superintendente de Gestão de Informações e Dados Técnicos da ANP, Sérgio Possato. ‘‘É uma bacia que oferece grande potencial inexplorado em águas profundas e ultraprofundas’’, disse. Não foi à toa que, logo após o anúncio da Petrobras que entusiasmou o mercado, a ANP tratou de incluir, no próximo leilão quatro áreas em Santos próximas ao novo megacampo – antes havia apenas uma.
Pela localização geográfica, no entanto, mais da metade das áreas em questão, incluindo o já mencionado megacampo, está em território marítimo fluminense. Portanto, os royalties da produção vão, em grande parte, para o Rio. A euforia despertada pelo fim do monopólio da Petrobras arrastou para cá boa parte da frota internacional especializada em pesquisas sísmicas. Segundo o superintendente da ANP, no ápice da empolgação, a costa brasileira chegou a ter 21 navios. Hoje, há 18 ainda navegando por aí, da foz do Amazonas à bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, segundo a ANP. ‘‘Um terço da frota mundial está aqui, diz Sérgio Possato. Entre os apelos para essa tarefa está a baixa concorrência.
Vladimir Mishchenko, do Laboratory of Regional Geodynamics (de capital russo e britânico), acha que é mais fácil vender dados das bacias menos assediadas. O navio dessa empresa já passou pela foz do Amazonas, hoje está na bacia do Pará-Maranhão e rumará em breve para Barreirinhas (MA). O levantamento de dados não-exclusivos também é feito por avião, que leva sensores capazes de identificar rochas de acordo variação de ondas magnéticas. Equipes da empresa Geomag, divisão da norueguesa Fugro, estão sobrevoando a bacia de Santos. Farão o mesmo em Campos, no Espírito Santo e em Pelotas.

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