Petróleo bate recorde, pressiona dólar e derruba bolsas mundiais
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segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Das agências 
O petróleo voltou ontem a dominar os mercados financeiros no mundo inteiro, derrubando bolsas e moedas. O temor de que os elevados preços vão reduzir o crescimento econômico e terão impactos inflacionários incentivou a aversão ao risco. As bolsas não foram poupadas. A Nasdaq perdeu 2,83% e o Dow Jones 1,08%. No mercado interno, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu 3,92% com a quarta maior queda do ano, o dólar superou o nível psicológico de R$ 1,85 e bateu o maior preço desde 10 de dezembro do ano passado e a procura por proteção fez o número de negócios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) crescer 43% em relação à sexta-feira.
Houve certo pânico e aversão ao risco dos países emergentes, comentou o responsável pela área de bônus do Banco Santander, Roberto Campos Neto. O C-Bond, o título da dívida brasileira mais líquido, perdeu 1,15% e fechou a 75,125 centavos por dólar.
Os contratos futuros do petróleo tipo Brent chegaram ao nível mais alto dos últimos dez anos na International Petroleum Exchange (IPE) de Londres. Para o vencimento em novembro o preço de fechamento era de US$ 34,46 por barril, em alta de US$ 0,48, depois de ter alcançado a máxima de US$ 34,98. Segundo operadores, não houve qualquer notícia que incentivasse a nova guinada das cotações, mas a intensificação das tensões entre o Iraque e os Estados Unidos não é bem recebida pelo mercado.
O contrato do barril do petróleo tipo WTI para entrega em outubro subiu US$ 0,96, para fechar a US$ 36,88 na Nymex da Nova York. Na máxima do dia, atingiu US$ 37,15. Mas o que os investidores e operadores da Nymex estão negociando já é o contrato futuro de novembro, que encerrou ontem com 135.550 posições em aberto, para apenas 70.267 contratos em aberto no contrato outubro, que expira quarta-feira. O contrato novembro é, portanto, mais importante do que o de outubro devido à sua maior liquidez.
O medo tomou conta do mercado e levou as ações a cair, resumiu o estrategista Anthony Dwyer, da Kirlin Securities. A verdade é que houve desaceleração no crescimento dos lucros, mas não na extensão que estamos vendo refletida nos preços. Entre as ações que mais caíram estavam as de multinacionais com parcela expressiva de receitas fora dos EUA, como Gillette (-7,3%) e Colgate-Palmolive (-4,30%).
O preço do petróleo no mercado internacional é hoje o maior vilão do mercado financeiro doméstico. Os juros futuros subiram mais uma vez na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e os investidores não têm mais vestígio de esperança de que o Copom possa reduzir a taxa Selic (juro básico da economia) na sua reunião que começa hoje (o resultado será divulgado amanhã). O consenso é de que tudo fica como está Selic em 16,5%, sem viés.
Além do nervosismo, o aumento das taxas de juros é resultado do interesse de tesourarias de bancos em ganhar dinheiro. O retorno das operações não estava atrativo e a alta das taxas de juros fez com que alguns bancos retornassem aos negócios, comentou o diretor de Tesouraria do banco CCF, Carlos Calabresi.
Mesmo assim, é um preço muito salgado. Discute-se se a alta é fruto de uma bolha especulativa ou não, mas o receio é de que o governo seja pressionado a reajustar mais uma vez os preços dos combustíveis, pondo em risco as metas inflacionárias. Ou, no mínimo, prejudicando as contas públicas, ao tentar adiar ao máximo o reajuste.
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, disse ontem, em Porto Alegre, que a crise internacional do petróleo e a resultante pressão sobre os preços do barril preocupam a empresa apesar de, em um primeiro momento, significar maiores ganhos na comercialização do produto. O efeito econômico, na medida em que a Petrobras também é produtora de petróleo e recebe os preços internacionais, tem um benefício imediato, mas é uma preocupação os preços tão elevados.


