Petróleo afeta custo do cimento
Carmem Murara
De Curitiba
O aumento do preço do petróleo no mercado internacional e o crescimento da demanda interna devem provocar aumento no preço do cimento nas próximas semanas. A tendência de alta está sendo apontada pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Sinic). O secretário executivo da entidade João Batista Menescal Fiuza disse ontem à Folha que o único fator que poderá evitar o aumento é a concorrência acirrada entre as empresas, que nos últimos anos provocou redução no preço do cimento brasileiro.
O óleo diesel (produto derivado do petróleo) representa hoje 50% do custo direto do beneficiamento do cimento. Desde o começo do ano o petróleo ficou 136% mais caro, enquanto o preço da saca de cimento teve uma recuperação de 19% a partir de maio deste ano. Até então havia uma queda no preço do produto.
Os dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento indicam que a tonelada de cimento custava US$ 80 em 1993, quando houve uma queda progressiva nos valores, chegando a US$ 50 em 95. Logo em seguida, houve uma recuperação no preço, subindo até US$ 70, em 97, e voltando a cair no início do segundo semestre do ano passado até maio deste ano, quando a tonelada passou a custar US$ 42.
A indústria cimenteira não acredita que o aumento do produto provoque redução das vendas. O custo do cimento é muito pequeno na construção civil. Representa apenas entre 4% e 6% do custo final, afirmou o secretário executivo do sindicato. A saca de cimento de 50 quilos tem um preço variado entre R$ 7 e R$ 8.
Assim como os preços que se recuperam, as vendas também dão sinais de crescimento. De janeiro a agosto deste ano houve um aumento de 1,14% contra o mesmo período do ano passado. A expectativa é crescer 2% até o final do ano. O crescimento médio foi de 60% de 95 a 98 sobre 94, agora é natural que haja uma acomodação e os índices caiam, disse Fiuza.
Neste cenário, o Paraná também aparece como um mercado que se acomodou e até reduziu as vendas de cimento. A queda foi de 8%, uma das maiores do País. Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram aumento de 2% nas vendas. A redução no Paraná ocorreu porque houve um aquecimento nas vendas no ano passado, afirmou o secretário executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento.
Hoje, o setor do cimento é controlado por 12 grandes grupos industriais proprietários de 47 empresas. A liderança é da Votorantin que controla 42% do mercado nacional, seguida pela indústria João Santos com 11,5% e pelos grupos Holderbank (Suíça) e Cimpor (Portugal), ambos com 9% das vendas.





