Petroleiros vão atrasar entrada no trabalho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 2004
Fabiana Futema<br> Folhapress 
São Paulo - Os petroleiros de todo o País devem atrasar hoje a entrada no trabalho em duas horas. A paralisação parcial foi aprovada em assembléias que ocorrem desde ontem no País. Em campanha salarial, os petroleiros cobram da Petrobras o fechamento da negociação salarial.
A estatal ofereceu 7,82% de reajuste. Mas os petroleiros cobram um aumento de 13,21%, referente à inflação e 5% de aumento real. Além disso, a categoria condicionou o fechamento do acordo salarial à negociação das pendências existentes na Petros, o fundo de pensão dos petroleiros.
Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), existem cerca de 5 mil trabalhadores da Petrobras contratados depois de 1997 que não têm previdência complementar. O coordenador da FUP, Antonio Carrara, disse que antes de partir para a greve os petroleiros pretendem esgotar as negociações com a Petrobras. ''Uma greve numa empresa como a Petrobras tem consequências muito mais sérias para o país.'' Segundo ele, o atraso de hoje não afetará a produção da estatal de petróleo.
Os petroleiros querem também mudar a Lei do Petróleo. Eles apóiam a ação direta de inconstitucionalidade, movida pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), que contesta as regras para exploração de gás e petróleo por empresas do setor privado. Para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar os argumentos da ação de Requião, os petroleiros estarão hoje em Brasília (DF). Está previsto para hoje o julgamento do mérito da ação.
Em sua ação, o governador afirma que a Lei do Petróleo quebra o monopólio da União sobre o produto, garantido pela Constituição. ''É preciso rever essa legislação'', disse o coordenador da FUP, Antonio Carrara.


