Curitiba - Petroleiros da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, trabalham ininterruptamente há 40 horas. Eles entraram às 15h30 de segunda-feira e só devem encerrar o turno hoje, caso seja esta a decisão da assembléia da categoria marcada para às 8 da manhã. A medida extrema de não haver rendição de turno foi deflagada pelos trabalhadores do Sistema Petrobrás do Paraná e Santa Catarina, assim como nas demais bases representadas pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). O objetivo é de pressionar o governo federal a cancelar a 10 Rodada de Licitações de Blocos Exploratório de Petróleo e Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo - ANP, prevista para ocorrer no próximo dia 18 de dezembro. O protesto foi aceito por 95% da produção e 30% do setor administrativo. O movimento foi nacional.
De acordo com Sindicato dos Petroleiros PR/SC (Sindipetro), esta negociação significaria a perda de um controle social da matriz energética, uma vez que o petróleo representa um poder estratégico econômico mundial. As reservas da área do Pré-Sal não estão incluídas no leilão. ''Sem a troca de turno, os petroleiros estão trabalhando no limite da força física e do estresse psicológico. Com o tempo, os setores vão começar a parar. Na assembléia vamos avaliar qual foi o efeito do protesto junto a sociedade e o governo. Não descartamos a continuidade do movimento e a paralização dos funcionários'', adianta o presidente do Sindipetro, Silvaney Bernardi. Nos terminais Transpetro de Paranaguá, Transpetro de Santa Catarina, Usina do Xisto, entre outras, o acordo foi um atraso de quatro horas na entrada do expediente.
A categoria luta também por um novo marco regulatório do setor de petróleo que garanta o monopólio da união sobre as reservas, a reestatização da Petrobrás, a reincorporação da Transpetro e demais subsidiárias, a destinação social dos recursos oriundos da extração e produção de petróleo. No site www.presal.org.br, a categoria disponibilizou informações sobre o protesto e pede à sociedade que assine um abaixo-assinado contra a concessão de exploração do petróleo por empresas privadas.
De acordo com nota à imprensa, a Petrobras afirmou que as manifestações que ocorreram em algumas unidades não afetaram a produção, que continua normal. A companhia acredita que os planos de contingência para ocasiões de paralisação, não serão necessários.

mockup