No Paraná, a mobilização dos petroleiros que programaram manifestações em todo o País hoje, deve se concentrar na Repar - Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. O protesto ocorre uma semana após a tragédia da P-36, que provocou a morte de dez petroleiros, sendo que nove deles não foram resgatados no mar da Bacia de Campos (RJ).
De acordo com o Sindipetro-PR, a refinaria teve suas atividades interrompidas desde a zero hora de hoje (quinta-feira), quando o turno das 23h30 de ontem deixou de entrar na empresa. Dos 570 funcionários da Repar, entre 250 a 300 trabalhadores dos setores operacional e de manutenção deverão parar, informou o presidente do sindicato Helio Luiz Seidel.
A direção da Petrobras, em Araucária, descarta a paralisação de suas atividades. De acordo com a assessoria, todas as precauções foram adotadas para que a produção não seja paralisada em função das manifestações dos petroleiros. Funcionários que operam em setores estratégicos já garantiram a presença em seus respectivos turnos, desde que sejam respeitados o direito ao trabalho, informou a assessoria de imprensa.
A manifestação deveria iniciar à meia-noite de ontem, seguida de ato público às 7h30 da manhã de hoje e o encerramento está previsto para as 23h30, quando inicia o turno da madrugada. Seidel confia na adesão dos petroleiros do Paraná em função da indignação e protesto com as condições de segurança da empresa. Os petroleiros reclamaram da falha de extintores em simulados contra incêndio na Repar. A assessoria da Petrobras contestou as informações, afirmando que a empresa que fazia a manutenção dos extintores foi desclassificada, porque o simulado avalia tanto o desempenho dos funcionários que fazem a segurança como o desempenho dos equipamentos.
As manifestações dos petroleiros deverão ocorrer em todo o País. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) aprovou ontem indicativo de paralisação da categoria a partir da zero hora de hoje.
‘‘Vamos fazer uma mobilização nacional para protestar contra a falta de segurança e por melhores condições de trabalho’’, disse ontem o diretor de Imprensa da FUP, Antônio Carrara. O indicativo de greve foi aprovado, depois que a P-36 afundou na Bacia de Campos. ‘‘Agora, os sindicatos estão discutindo a greve com a categoria, em assembléias’’, explicou Carrara.
O diretor do Sindipetro-RJ, Coaracy Guimarães, disse que está programado para o meio-dia de hoje uma manifestação na frente do edifício-sede da Petrobras. ‘‘Será um ato para lembrar a morte de nossos companheiros. A paralisação da categoria é muito importante’’, disse Guimarães.
O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense, Fernando Carvalho, também confirmou o protesto e a paralisação de 24 horas previstos para hoje. Ontem petroleiros fizeram manifestação na frente da sede da Petrobras em Macaé, com a utilização de carros de som.
A Petrobras informou que, com o afundamento da plataforma, ficaria ‘‘impossível’’ o resgate dos outros funcionários que estavam na P-36 no momento do acidente. (Com Agência Estado)

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