Carmem Murara
De Curitiba
Os petroleiros que trabalham na refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária (Região Metropolitana), fizeram ontem um dia de protesto. Desde às zero hora eles cruzaram os braços e se recusaram a fazer a troca de turno dentro da unidade de produção de combustível.
A manutenção da mesma equipe de trabalho tem sido uma prática adotada pelos petroleiros desde que a Petrobrás se recusou a fazer o pagamento de 100% das horas extras pelo trabalho executado em dias de feriado.
A primeira manifestação deste tipo ocorreu no feriado de Corpus Christi, em junho deste ano. Como consequência direta do protesto, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) orientou todas as refinarias do País a iniciarem uma onda de mobilização.
O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina divulgou um comunicado onde diz que o pagamento do adicional no feriado é um ‘‘direito histórico que está previsto no acordo coletivo de trabalho e também na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)’’.
Além da refinaria em Araucária, também as unidades de produção de xisto em São Mateus e a base instalada em São Francisco do Sul (SC) não tiveram a troca de turno.
O Sindipetro afirma ainda que o extra-turno é uma forma de compensação pela perda do convívio social e familiar a que são submetidos os petroleiros obrigados a passar os dias do Natal, Ano Novo, e outras datas religiosas isolados em plataformas de petróleo, em sondas ou nas refinarias.
A Petrobrás deixou de pagar o extra-turno em outubro do ano passado, sem apresentar uma compensação salarial aos petroleiros. Após uma negociação entre os trabalhadores e a empresa, houve um entendimento de pagar apenas o feriado do Carnaval.
A Federação Única dos Petroleiros chegou a propor, na última sexta-feira, que a Petrobrás trocasse o extra-turno por uma indenização equivalente a cinco salários básicos para a categoria. Mas como não houve uma resposta definitiva, os petroleiros optaram pelo protesto no dia de ontem.
A paralisação por 24 horas foi feita em várias refinarias no País. Uma das unidades que aderiu foi a Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC), no Estado de São Paulo. Os 80 petroleiros que deveriam deixar o turno naquele horário foram obrigados a permanecer na empresa durante 24 horas, situação idêntica a que ocorreu em Araucária. O Sindicato dos Petroleiros local resssaltou que enquanto não houver um entendimento, a categoria vai parar em todos os feriados.

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