Curitiba - Os petroleiros de todo o Brasil realizaram ontem uma paralisação de 24 horas. No Paraná, segundo o Sindicato dos Petroleiros do Paraná (Sindipetros), cerca de 50% dos 900 trabalhadores cruzaram os braços em todas as bases da Petrobras e da Transpetro. As reivindicações da categoria, que possui sua data-base no segundo semestre, são o reajuste de 23,35%, mais 6,8% de produtividade, o fim dos serviços terceirizados e manutenção de alguns direitos que os trabalhadores que entraram na Petrobras depois de 1997 perderam.
Segundo o presidente do Sindipretros, Anselmo Ernesto Ruoso Júnior, o movimento foi bem sucedido. Em Araucária, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), que possui cerca de 600 funcionários, parou os trabalhos às 23h30 de terça-feira e só retomariam na noite de ontem. Não houve troca de turno e os empregados que entraram na tarde de terça-feira, segundo informações do sindicato, só iriam sair ontem a noite. ''Eles não podiam sair dos seus postos de trabalho sem que outras pessoas entrassem para trabalhar. Isso caracterizaria abandono de emprego'', explica Ruoso Júnior. A Usina do Xisto, em São Mateus do Sul, também parou.
Nos terminais da Transpetro, em Paranaguá, os 50 petroleiros cruzaram os braços e atrasaram a entrada dos turnos por duas horas. Os trabalhadores se dividem em três turnos e todos foram atrasados. Segundo Ruoso Júnior, a paralisação foi uma advertência, mas sinalizou que está aberto para um movimento mais radical de paralisação geral por tempo indeterminado, caso a Petrobras não melhore a proposta apresentada aos petroleiros. Com o atraso de duas horas, todo o serviço de manutenção dos terminais ficou prejudicado.
A assessoria da Petrobras informou que ''a paralisação não prejudicou qualquer área de produção e disse ainda que a empresa continua disposta a negociar com seus empregados em busca de um acordo coletivo satisfatória para todos''.
Os funcionários dos Correios, que também possuem data-base no segundo semestre, fizeram ontem assembléia para decidir se entram ou não em greve, mas até o fechamento desta edição não havia nada definido. As principais reivindicaçãoes dos trabalhadores são 69,28% de reajuste salarial, referente as perdas salariais de 1º de julho de 1994 até 31 de julho de 2003 (53,89%), mais aumento real de 10%, piso salarial de R$ 1,5 mil, vale-alimentação e adicional de 40% do salário-base a título de periculosidade.

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