Rio A Federação Única dos Petroleiros (FUP) rejeitou a proposta de reajuste apresentada ontem pela Petrobras e vai indicar a deflagração de uma greve de cinco dias, com parada na produção de petróleo e derivados a partir do dia 19. O indicativo de greve tem de ser aprovado pelos sindicatos regionais em assembléias.
Se aprovada a mobilização, os empregados da estatal prometem reduzir a produção a níveis mínimos de segurança da primeira hora do dia 19 à meia-noite do dia 24. ''Se pararmos 50% da bacia de Campos, com petróleo a US$ 53, a empresa vai ter um prejuízo enorme'', alertou o presidente da FUP, Antônio Carrara.
Segundo ele, os petroleiros estão definindo como será a parada da produção. A tendência é garantir produtos essenciais à população, como gás para hospitais, e níveis mínimos de produção em plataformas e refinarias a parada total destas unidades requer um tempo para o retorno à produção. O bombeio de combustíveis para as distribuidoras também deve ser suspenso.
Carrara não acredita, porém, em desabastecimento do mercado, já que distribuidoras e postos têm estoques suficientes para cinco dias. Desde a greve de 1995, que culminou com demissões em massa e participação do Exército em proteção às instalações da estatal, é a segunda vez que a categoria parte para uma greve com parada de produção. A outra foi realizada em 2000.
Na reunião de ontem, a Petrobras propôs um reajuste de 7,81%, de acordo com inflação medida pelo ICV-Dieese, mais uma elevação de nível no plano de cargos e salários dos funcionários da ativa. No total, a proposta prevê um aumento real de 12,12%, bem próximo dos 13,2% pedidos pelos empregados. ''O problema é que representamos 60 mil aposentados que não se beneficiam da subida de nível'', disse Carrara.

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