Curitiba - Os petroleiros do Paraná iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado em apoio a uma mobilização nacional da categoria que é contra o leilão de petróleo do Campo de Libra, no pré-sal da bacia de Santos, previsto para 21 de outubro. No estado, à tarde, a greve já atingia s áreas de refino e transporte de petróleo e derivados, mas ainda não afetava a produção.
Para o presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Paraná e Santa Catariana, Silvaney Bernardi, o leilão do Campo de Libra representa um retrocesso e uma ameaça à soberania do País, já que poderia ir para as mãos de empresas estrangeiras. Segundo ele, a produção no Paraná será afetada a partir de três dias de greve.
A adesão no Estado era de 75% de um total de 1.750 funcionários. Os locais que foram atingidos com a mobilização foram a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a Usina do Xisto, em São Mateus do Sul, e o Terminal Aquaviário da Petrobras Transporte (Transpetro) de Paranaguá (Tepar). Na refinaria, está concentrado o maior número de trabalhadores: 950. Na Usina do Xisto, são 500 e, na Transpetro, 300.
Além da suspensão do leilão, que não depende da empresa, mas de sua controladora, a União, os petroleiros querem reajuste salarial de 11,6%, aumento real de 5% e o arquivamento do projeto de lei 4.330, conhecido como "lei da terceirização", o que também não depende da Petrobras.
Ontem à tarde, os petroleiros fizeram uma manifestação contra o leilão na Boca Maldita, no Centro de Curitiba. A mobilização reuniu cerca de 100 pessoas.
A Petrobras informou que não cabe posicionamento sobre o leilão de Libra e o projeto de lei. Por meio da assessoria, esclareceu que tem como prática, diante deste tipo de mobilização, tomar as medidas necessárias para garantir suas operações e evitar problemas com o abastecimento do mercado. A companhia informou ainda que propôs um reajuste salarial de 7,68% e uma gratificação equivalente a uma remuneração aos seus funcionários. Disse também que está aberta ao processo de negociação com as entidades sindicais.
O leilão do Campo de Libra é organizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O consórcio que vencer a disputa terá que fazer um pagamento imediato de R$ 15 bilhões e firmar o compromisso de investir no mínimo R$ 610 milhões nos primeiros quatro anos. A previsão é que Libra produza 1 milhão de barris por dia em 2020.

Gás
A paralisação dos trabalhadores pode à falta de gás de cozinha (GLP). A distribuição deste produto estava deficitária desde o fim de setembro. A ANP informou ontem que o abastecimento já está normalizado no País e que não há mais restrições de entrega de botijões para revendas. Ainda, segundo a agência, o acréscimo na demanda, motivada por um período de inverno mais prolongado, somada à uma parada técnica programada na Refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos, causou "deficiências localizadas".
A ANP esclarece que o retorno ao funcionamento regular da Refinaria Henrique Lage e o acréscimo de importações do gás eliminaram focos de carência de suprimento.

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