Petroleiros apóiam, empresários criticam
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Karen Camacho<br>Folhapress 
São Paulo - O Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo é a favor do decreto do presidente boliviano, Evo Morales, de nacionalizar as reservas de petróleo e gás natural naquele país. A posição dos trabalhadores é de apoio integral à decisão do presidente boliviano, disse o diretor do sindicato, Antonio Carlos Spis. Se o Brasil pode ter controle sobre o seu petróleo, porque a Bolívia não?, justificou.
Spis, no entanto, acredita que vai ser possível uma renegociação com a Bolívia e que a posição do presidente não deve se sustentar por muito tempo. A Bolívia não tem mercado consumidor e 80% do gás é exportado. Acho que é uma decisão radical no início, mas vai haver necessidade de renegociação.
Para Spis, a Bolívia não pode continuar com as atuais condições iniciais desfavoráveis. Mas, a nacionalização integral não vai acontecer e vai ser preciso fazer parcerias. Essa radicalização abre espaço para o debate, defendeu.
Empresários - Já os empresários brasileiros lamentaram a decisão do presidente boliviano. Em nota, a Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib) vê claro desrespeito aos contratos firmados com cerca de 20 empresas internacionais que exploram petróleo gás no país vizinho. A entidade cobrou firmeza do governo Lula.
O governo brasileiro deve agir prontamente e com firmeza. O melhor caminho para atender aos interesses sociais da população, políticos dos Estados e econômicos das empresas produtoras ainda é a mesa de negociações, opção que o governo boliviano jamais deveria ter abandonado e que a Petrobras e o Estado brasileiro vinham apostando, diz a nota.
A associação também defende que após o Brasil atingir a auto-suficiência em petróleo seria a hora de reduzir a dependência das reservas bolivianas de gás com investimentos no litoral brasileiro -há reservas de gás representativas na bacia de Santos.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou que a decisão insensata do governo boliviano pode causar prejuízos para 337 mil trabalhadores brasileiros que utilizaram o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações da Petrobras.O presidente Lula não pode de forma alguma permitir tal quebra de contrato de forma abrupta. O governo brasileiro precisa agir urgente com determinação, já que esta medida afeta diretamente os brasileiros, afirmou.
Além disso, a Força teme que possíveis problemas com o fornecimento de gás para o Brasil possam obrigar as empresar que usam esse combustível a demitir. Empresas que utilizam tal produto (o gás) podem ser obrigadas a fechar e dispensar funcionários resultando no aumento do desemprego no País, afirmou Paulinho.


