SÃO PAULO - A Confab, maior fabricante nacional de tubos de aço, espera assinar nos próximos dias o contrato com a Petrobrás para o fornecimento de 3 mil quilômetros de tubos para o gasoduto Brasil-Bolívia. A Confab, em associação com a empresa japonesa Marubeni de comércio exterior, venceu a licitação aberta pela Petrobrás para a compra dos equipamentos do gasoduto que vai custar quase US$ 2 bilhões. O investimento da Petrobrás em tubos de aço será de US$ 665 milhões, valor equivalente ao lucro líquido da estatal no ano passado.
O presidente da Confab, Roberto Caiuby Vidigal, afirmou ontem que a liminar obtida na última sexta-feira pelo consórcio Liberty, contra a Petrobrás, não vai prejudicar o projeto. Ele criticou o grupo concorrente por chegar atrasado ao processo de licitação internacional aberto pela Petrobrás. ‘‘Eles são tão competentes e organizados que chegaram atrasados’’, disse.
O grupo Liberty, formado por empresas russas e ucranianas, apresentou sua oferta um minuto após a abertura da primeira proposta pela comissão de licitação e por isso foi desclassificado. O advogado representante do grupo Liberty, Paulo Henrique Lins, recorreu à Justiça Federal para tentar anular a concorrência. Ele alega que a comissão favoreceu o consórcio Conmar, liderado pela Confab, que teria apresentado a proposta sem rubrica e assinatura de seu representante legal.
‘‘Em 20 anos de atuação internacional nesta área nós nunca soubemos da existência desta empresa’’, afirmou o presidente da Confab, referindo-se ao consórcio Liberty. ‘‘A Petrobrás tem muita experiência em licitações como esta e temos certeza de que não há nada de errado no processo’’, afirmou Vidigal. ‘‘Não estamos preocupados pois temos certeza de que tudo foi feito de acordo com as regras legais’’.
O presidente da Confab disse que o contrato com a Petrobrás deverá ser assinado dentro de alguns dias pois do contrário o cronograma de entregas das 440 mil toneladas de tubos de aço poderá ser prejudicado. A Confab tem 2.500 funcionários atualmente e deverá contratar mais 200 para ampliar a produção e fornecer os equipamentos para a construção do gasoduto. A receita da empresa com a venda de tudos (US$ 200 milhões em 96) deverá aumentar em 50% este ano.

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