Petrobras tem prejuízo de R$ 48 bilhões no primeiro trimestre


NICOLA PAMPLONA
NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras decidiu adequar o valor de seus ativos aos novos preços do petróleo e anunciou prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020. O balanço, divulgado nesta quinta (14), fala em lenta recuperação da demanda e mudança de hábitos de consumo após a pandemia.

A revisão reduziu em R$ 65,3 bilhões o valor de um conjunto de operações, principalmente campos petrolíferos, para adequar a previsão de receitas a um petróleo que oscilará, segundo a companhia, entre US$ 30 e US$ 45 por barril nos próximos anos.



Sem a revisão, a Petrobras teria registrado prejuízo de R$ 4,6 bilhões, com impactos negativos da queda das cotações internacionais do petróleo e efeitos da desvalorização cambial.

"O prejuízo contábil em nada afeta a saúde e sustentabilidade da Petrobras", escreveu no relatório, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco. "Trata-se de situação bastante distinta da vivenciada em 2014-2015 quando a companhia enfrentava duas crises, uma financeira e outra moral."

No fim de março, a estatal anunciou uma série de medidas para enfrentar a pandemia, como corte de investimentos e de produção, redução de salários e a suspensão de dividendos e dos bônus que seriam pagos a executivos pelo desempenho em 2019, quando a companhia lucrou R$ 40,1 bilhões.

Já sob efeitos das medidas de isolamento social a partir de meados de março, as vendas de combustíveis pela companhia caíram 6% no trimestre, para 1,626 milhão de barris por dia. Já a produção de petróleo e gás natural recuou 3,8%, para 2,909 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Os impactos da pandemia de coronavírus sobre as vendas no Brasil vêm sendo compensado parcialmente pelo aumento das exportações de petróleo, que atingiu recorde de 1 milhão de barris por dia em abril, e de combustível para navegação.

Com baixo teor de enxofre, o petróleo do pré-sal é adequado para a produção de combustível marítimo que atendam aos novos requisitos anti-poluição da Organização Marítima Internacional, que entraram em vigor no início do ano.



Para atender a demanda, a Petrobras decidiu no fim de abril rever corte de produção de petróleo que havia sido anunciado em março entre as medidas de enfrentamento da pandemia. Anunciou ainda que aumentaria a produção de combustíveis em suas refinarias no país.

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