Petrobras tem de ser entendida como um bem nacional
A Petrobras tem ganhado as manchetes nos últimos anos devido à política de preços da estatal, que tem vendido combustíveis por valores mais baixos do que o custo do produto importado. Houve queda do poder de investimentos da empresa, o que diminuiu os lucros e o preço de mercado da maior empresa brasileira, que ainda se viu em meio a denúncias de corrupção nos últimos meses.
De um modo ou de outro, os três presidenciáveis que lideram as pesquisas acusaram os adversários de interesses em desaparelhar a estatal. Novamente, no entanto, os analistas ouvidos pela FOLHA não viram propostas concretas para o que chamaram de "maior bem nacional".
O economista Cid Cordeiro afirma que a Petrobras é a maior fonte de recursos para solução de problemas sociais no País, já no presente. Por isso, acredita que o modelo atual de precificação dos combustíveis, que gera distorções nos valores e prejudica o programa de etanol,, não deve ser levado adiante. "Por outro lado, o repasse automático de variações de preço, como era nos anos 90, gera instabilidade. É preciso um meio termo."
Sem um debate claro sobre a empresa, a noção de investimentos em fontes de energia sustentável também fica mais pobre, diz o professor Sidnei Pereira do Nascimento. "É necessário ter energia mais limpa, mas mudar a matriz energética exige tempo e é preciso manter o que se tem. O que precisamos é de investimento, e pesado."
O professor de economia Adilson Volpi considera que a Petrobras deveria ser a catalisadora na busca de outras fontes de energia e dá sua sugestão. "Além de usar os recursos do pré-sal para saúde e educação, precisa ser usada para o desenvolvimento de um novo modal de transporte para o País que reduzisse a necessidade de petróleo importado."
Diferenças escondidas
Os analistas dizem que as diferenças na essência dos candidatos existem, mas não aparecem nas propostas. "Não fica claro o que mudar e como", diz Volpi. "As propostas são pobres, mas somos uma sociedade que não cobra para que sejam melhores", completa Nascimento. (F.G.)





