Petrobras registra R$ 6,1 bi em corrupção
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
Lucas Vettorazzo e Samantha Lima<br>Folhapress 
Com impacto do lançamento de perdas de R$ 6,194 bilhões relacionadas à corrupção e outros R$ 44,345 bilhões à reavaliação dos ativos, a Petrobras registrou, em 2014, prejuízo de R$ 21,587 bilhões ante o lucro de R$ 23,4 bilhões registrado em 2013. A divulgação das demonstrações contábeis auditadas de 2014 em atraso, dos dois últimos trimestres e da anual, foi feita ao mercado às 19h23 de ontem. As do terceiro trimestre estavam atrasadas havia 159 dias, e a anual, 22 dias.
No ano passado, a receita de vendas da companhia atingiu R$ 337,26 bilhões, alta de 11% ante 2013, graças aos reajustes nos preços do diesel e da gasolina autorizados pelo governo e o efeito do câmbio. Já o endividamento total da companhia atingiu R$ 351 bilhões, um aumento de 31% em relação ao ano anterior. O indicador de dívida líquida sobre geração de caixa saltou de 3,52 para 4,77 - um índice considerado saudável para o mercado é de 2,5. A dívida cresceu por conta das captações e da desvalorização do real.
A metodologia usada para a baixa por corrupção considerou principalmente os depoimentos em delação premiada feitos por executivos que participaram do esquema de corrupção, revelado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.
Segundo o gerente executivo de Desempenho da Petrobras, Mário Jorge Silva, a empresa considerou os depoimentos "consistentes em relação ao cartel, ao período em que operou, às empresas que participaram e os valores máximos", para efeito de lançamento no balanço.
Em sua primeira aparição pública como presidente da Petrobras, Aldemir Bendine afirmou ontem que a "Petrobras não vai parar, não vai entrar em marcha ré". O presidente fez um breve discurso antes da divulgação do balanço de 2014. Bendine afirmou que a empresa caminha rumo ao "esclarecimento completo dos desvios que foram praticados dentro da companhia, corroendo o patrimônio de seus acionistas e, portanto, de todos os brasileiros".
O presidente afirmou ainda que o balanço foi aprovado sem ressalvas pela auditora externa PwC. A negativa da auditora em assinar o balanço sem que houvesse a baixa do valor da corrupção foi o principal motivo que levou a Petrobras a atrasar a publicação do balanço anual em 22 dias. "A partir daqui a Petrobras volta a garantir a normalidade de seu relacionamento com investidores, acionistas e credores no Brasil e no exterior", disse. "Estamos passando a limpo os erros cometidos no trato com recursos da companhia para podermos lidar com o mercado com a transparência que ele exige e merece receber."
Segundo Bendine, parte do valor da corrupção - de R$ 6,194 bilhões - foi levantado pela própria empresa. Uma segunda só teria sido possível chegar com as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Bendine falou por cerca de cinco minutos e não citou em nenhum momento a palavra corrupção. A primeira tarefa da empresa, disse ele, foi fazer uma reavaliação dos ativos com o chamado teste de imparidade (impairment, no jargão em inglês), que busca trazer a valor presente as receitas futuras de suas unidades. "Precisávamos criar um modelo contábil capaz de retratar com fidelidade a reavaliação dos ativos da companhia por conta das mudanças do mercado e dimensionar os impactos decorrentes da operação Lava Jato." "Usamos informações que apenas a PF e o MP poderiam dispor por conta de ferramentas de investigação que nem uma empresa tem a sua disposição", disse.


