Rio de Janeiro A Petrobras surpreendeu o mercado ao divulgar, ontem, o lucro recorde do primeiro trimestre do ano: R$ 5,545 bilhões, resultado 540% superior aos R$ 866 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O salto no balanço da empresa foi impulsionado fortemente pela queda do dólar e pela alta do petróleo nos três primeiros meses do ano, o aumento da produção e o reajuste de preços concedido no final de dezembro de 2002.
O resultado equivale a mais da metade dos R$ 8,098 bilhões que a companhia lucrou em todo o ano de 2002. Segundo o diretor financeiro da estatal, José Sérgio Gabrielli, a melhoria no cenário cambial e a alta do preço do petróleo no período pré-guerra foram fatores determinantes para o resultado, que classificou como ''extraordinário''. No primeiro trimestre de 2002, o barril do petróleo valia US$ 21,17. Neste ano, a cotação média do primeiro trimestre foi de US$ 31,87.
Nos três primeiros meses do ano, o real teve uma valorização de 5,1%, com relação à cotação de dezembro, e essa variação teve um reflexo positivo de R$ 627 milhões sobre a dívida da empresa. A dívida líquida recuou 9,1% com relação ao quarto trimestre, passando de R$ 38,510 bilhões para R$ 34,926 bilhões.
O diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, atribuiu o lucro líquido da Petrobras no primeiro trimestre ao reajuste dos combustíveis no mercado interno, realizado pela gestão anterior, no dia 29 de dezembro de 2002. ''A companhia praticamente congelou os preços altos no pré-guerra e depois lucrou sobre a baixa do petróleo e a contínua desvalorização do dólar no início deste ano'', explicou.
Segundo ele, há expectativa no mercado de que no próximo trimestre o lucro da Petrobras seja ainda maior, porque, mesmo com a redução dos preços dos combustíveis na refinaria, ainda há uma diferença entre o preço da gasolina e do diesel no País com relação aos valores negociados no Golfo do México. Pelos valores de hoje, disse Pires, a companhia ainda negocia sua gasolina 10% mais cara do que no mercado internacional. O diesel está com preço 25% mais alto e o GLP em torno de 18%.
O Ebitda (lucro antes de impostos, taxas e amortizações) somou R$ 9,409 bilhões, um crescimento de 295% sobre os R$ 2,383 bilhões do mesmo período de 2002. Gabrielli disse que o aumento da produção de petróleo, de 6%, contribuiu para a redução nos custos da empresa. A Petrobras produziu, em média, 1,613 milhão de barris de petróleo por dia durante os três primeiros meses de 2003.
O balanço já reflete a redução dos investimentos da empresa na área de gás e energia, motivada pelo prejuízo que vem tendo em suas operações com térmicas. Os aportes neste setor caíram 34%, atingindo R$ 110 milhões. A empresa fez uma provisão de R$ 709 milhões para perdas com negócios no mercado energético.
''Estamos estudando alternativas para reduzir estas perdas'', informou o executivo. Uma delas seria a aquisição de três usinas com as quais a estatal se comprometeu a comprar parte da energia, mesmo que não tenha para quem vender. A Petrobras investiu, no total, R$ 3,59 bilhões no primeiro trimestre, sendo 58% deste valor na área de exploração e produção.

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