Petrobras reajusta gasolina em 6% e diesel, em 4%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
O consumidor que abasteceu o carro ontem foi surpreendido com o aumento do preço dos combustíveis. Desta vez, não teve nem a possibilidade de encher o tanque antes do reajuste porque o comunicado oficial da Petrobras só foi divulgado ontem de manhã. O aumento foi aprovado em reunião de diretoria da companhia na última terça-feira, mas só foi anunciado nesta quarta-feira.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras informa que reajustou em 6% a gasolina e em 4% o diesel que saem das refinarias. O comunicado foi divulgado pouco antes da 9 horas da manhã .
Em Curitiba, o preço médio da gasolina, que estava em R$ 3,19, chegou a R$ 3,39 e, o diesel, passou de R$ 2,89 para R$ 2,99. Na esteira do aumento do diesel e da gasolina, os postos da capital também aproveitaram para aumentar o etanol, que foi de R$ 2,19 para R$ 2,29. Donos de postos consultados pela reportagem disseram que o aumento do etanol ocorreu em função de entressafra da cana-de-açúcar.
A Petrobras não explicou no comunicado ao mercado o motivo do aumento. O diretor do Sindicombustíveis do Paraná, Dinho Sprenger, ressalta que a empresa tem problemas sérios de caixa há muito tempo. Ele acredita que o reajuste de ontem seja para compensar a defasagem provocada pela alta do dólar e para fazer frente ao plano de investimentos da companhia.
O Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) prevê que o reajuste da gasolina fique entre 3% e 4% na média nacional. O último aumento dos combustíveis autorizado pela Petrobras ocorreu em 7 de novembro de 2014 e foi de 3% para a gasolina e 5% para o diesel.
O peso da gasolina na formação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 3,84 pontos porcentuais, enquanto o do diesel é de 0,15. O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima, considera que os reajustes terão impacto na inflação já em outubro.
Os consumidores não gostaram nada do aumento anunciado ontem. O construtor Arauci Andrade disse que o "custo de tudo está subindo todos os dias". "Isso não é justo", declara. O empresário Jean Bail afirma que vai ser bastante prejudicado com o aumento porque viaja a trabalho. "O custo operacional da minha empresa aumentou muito e isso reflete no preço dos nossos produtos", disse. Ele trabalha com criação de lojas virtuais. "Tenho usado mais álcool no carro pelo desempenho e pelo preço", contou.
O aumento do preço do diesel também pode refletir nos valores dos fretes rodoviários. O Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos da NTC&Logística (Decope) divulgou ontem um estudo sobre o aumento do diesel no custo do frete. A previsão é que os 4% anunciados pela Petrobras podem ter um impacto de até 1,27% no valor do custo final do transporte rodoviário de carga.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar-PR), Gilberto Cantu, diz que é "lamentável" o aumento. Ele acredita que, com a economia retraída, vai ser difícil repassar o custo para os clientes. "A maioria das empresas vai ter que absorver este reajuste. O ambiente não é propício para repassar custo", prevê.


