Rio de Janeiro - A Petrobras prepara um plano de massificação do uso de gás natural para ser lançado dentro de três meses. Segundo o diretor de Gás e Energia, Ildo Sauer, várias estratégias estão sendo traçadas para difundir o uso do combustível tanto por grandes como por pequenos consumidores. O plano também prevê a utilização do gás sob todas as suas formas: liquefeito, veicular (GNV) e encanado. ''Temos excelentes perspectivas de descobertas para a Bacia de Santos, que em breve devem ser divulgadas e que certamente vão ampliar nossa oferta'', comentou.
As três principais frentes de massificação, segundo o diretor, são a instalação dos gasodutos já anunciados para a malha Sudeste e Nordeste - que vai consumir investimentos de US$ 1 bilhão -, a ampliação da rede de postos de abastecimento de GNV e o lançamento de um projeto de ''gasoduto virtual'' - sistema de transformação do gás em líquido para seu transporte em caminhões-tanque para cidades pequenas não servidas por gasodutos.
Segundo Sauer, um dos principais objetivos é a redução do preço do gás para o consumidor comum. ''O aumento da oferta certamente será responsável por baixar o preço, mas, como isso será feito, só vamos explicar no lançamento do projeto'', afirmou. Sauer disse que o governo pretende que o preço do botijão de 13 quilos de GLP ou o seu equivalente, de 15 metros cúbicos, de gás natural custe para o consumidor ''no máximo'' R$ 20, no lugar dos atuais R$ 30. Hoje, segundo ele, a Petrobras recebe R$ 11 pelos R$ 30 pagos pelo consumidor por um botijão e somente R$ 4 pelos mesmos R$ 30 pagos por 15 metros cúbicos de gás.
''O maior custo está no transporte. O aluguel da velha malha de gás natural na cidade de São Paulo, por exemplo, é extremamente caro'', comentou. A ampliação desta malha, diz Sauer, estará ''certamente'' no plano a ser lançado pela Petrobras.
Parte dessa estratégia ainda depende da negociação do contrato de compra e venda de gás natural da Bolívia. Entretanto, a reunião que estava marcada para o Rio de Janeiro no dia 11, entre representantes do Ministério de Minas e Energia e da estatal com técnicos e autoridades bolivianas, pode ser adiada. ''Recebemos um pedido deles para que a reunião fosse adiada. Eles alegam que precisam de mais tempo para avaliar nossas propostas'', disse. A nova data ou a manutenção da reunião ainda não foi definida.
A proposta do Brasil vem sendo apresentada desde fevereiro, sem que a Bolívia concordasse sequer em avaliá-la. Os principais pontos prevêem a negociação da cláusula take or pay, que obriga o Brasil a pagar por um volume específico de gás natural mesmo sem consumi-lo.

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