A Petrobrás poderá demitir 3 mil de seus 38 mil funcionários, como resultado da reestruturação que irá ampliar a jornada de trabalho em plataformas, sondas e refinarias. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiu iniciar greve no dia em que a mudança for anunciada, o que a direção da empresa prevê para os próximos 15 dias, segundo informação dos sindicalistas. A Petrobrás confirma a intenção de reduzir a quantidade de turnos na empresa.
Os funcionários de unidades operacionais de produção atuam divididos em cinco turmas. Nas plataformas e sondas as escalas de plantão de 14 dias de trabalho por 21 dias de folga. A proposta da empresa é alternar 14 dias de trabalho com o mesmo período de descanso, reduzindo para quatro as turmas em operação. Com isso, um dos grupos ficaria ocioso. Nas refinarias, a quantidade de turnos seria também alterada, aumentando a jornada. Entre 14 mil e 15 mil petroleiros trabalham nestas unidades.
‘‘A direção da Petrobrás anunciou a mudança para a primeira quinzena de janeiro e agora mudou para a segunda quinzena’’, diz João Antonio de Moraes, diretor da FUP. ‘‘A categoria já decidiu pela greve e as assembléias regionais vão apenas referendar esta decisão’’, informou. A última paralisação dos petroleiros, em maio de 1995, durou cerca de um mês e teve uma ampla repercussão no mercado, com uma crise de desabastecimento de derivados, especialmente gás de cozinha.
O movimento, que segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Petroleiros teve adesão de 60% dos trabalhadores da Petrobrás (então 41 mil), foi reprimido pelo governo, com ocupação de refinarias pelo Exército, depois da decretação da ilegalidade da greve pelo Tribunal Superior do Trabalho.
A manutenção dos turnos nas unidades de produção é a principal reivindicação dos petroleiros que pedem ainda reajuste salarial de 1,13%, produtividade de 19% e reposição de 35% referentes às perdas com o Plano Real. ‘‘O problema é que a conjuntura atual não nos é favorável’’, reconhece Moraes. A direção da Petrobrás já informou que não concederá reajuste salarial, nem nenhum outro benefício financeiro.

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