Brasília - A Petrobras se comprometeu a pagar a mais por componentes do gás proveniente da Bolívia que hoje não terão nenhuma utilidade para a empresa. ''É um valor adicional para um gás mais rico, e é importante que isso seja reconhecido'', disse Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras.
O gás fornecido pela Bolívia hoje já tem uma concentração de componentes mais nobres, como o etano, GLP (gás de cozinha) e a chamada gasolina natural. A estatal brasileira recebe esse combustível e o comercializa sem fazer qualquer tipo de desagregação.
Agora, pagando mais por essa parte mais nobre, a Petrobras deverá antecipar investimentos que necessitem desse combustível. ''Aí (a saída para justificar o gasto extra) é acelerar investimentos. A vida empresarial é isso'', disse Gabrielli.
O acordo fechado ontem não altera o atual preço pago pelo Brasil, que foi estabelecido em contrato. A Petrobras, entretanto, aceitou pagar um adicional caso o gás fornecido pela Bolívia tenha um excedente de poder calorífico.
Haverá a desagregação dos componentes do gás e valorização dos ingredientes mais nobres do combustível, que passarão a ser cotados com base nos preços internacionais. Essa regra valerá para as frações nobres do gás acima de 8.900 kcal/metro cúbico.
A estimativa do ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, é que essa fórmula garanta um aumento de US$ 100 milhões nos valores pagos pela Petrobras ao país vizinho neste ano.
Já o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) disse que haverá um aumento de 3%, 4% ou 6% nos preços finais. Em 2006, o gás boliviano custou US$ 1,260 bilhão a Petrobras.
Investimentos - A estatal brasileira irá fazer uma avaliação econômica para definir como esse gás nobre será utilizado. Uma das saídas é destiná-lo ao pólo gás-químico que a Petrobras tem a intenção de construir na fronteira com a Bolívia.
Esse pólo era o maior projeto da Petrobras com o país vizinho e tinha como parceira a petroquímica Braskem. O projeto, no entanto, foi suspenso com a decisão da Bolívia de nacionalizar os hidrocarbonetos, tomada em 1º de maio do ano passado.
''Ontem o presidente (Evo) Morales e eu assistimos sobre uma apresentação de um polo gás químico na fronteira. (...) Temos as condições para ir muito além do gás. Seremos parceiros na revolução da energia renovável, na petroquímica e na geração de hidroeletricidade', disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia ontem no Palácio do Planalto.
Ele afirmou que os dois países vão estudar a possibilidade de construir uma usina hidrelétrica binacional na fronteira com a Bolívia. Segundo a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), essa usina ficaria no rio Mamoré, entre os municípios de Abunã (Bolívia) e Guajaramirim (Brasil), e teria potência de cerca de 3.000 MW.
Um outro investimento que será analisado é a construção de uma usina de biodiesel no país vizinho pela Petrobras. Para Lula, o investimento em biodiesel fará com que os dois países tenham possibilidade de gerar trabalho e renda para a população que vive nas áreas rurais dos dois países.''O biodiesel é a possibilidade dos países mais pobre conquistarem a sua soberania econômica.'
Os valores desses possíveis investimentos na Bolívia não foram informados pelo governo brasileiro. Já o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, espera que eles cheguem a US$ 3 bilhões entre 2007 e 2010.

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