Petrobras manterá preço da gasolina
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segunda-feira, 12 de abril de 2004
Alberto Komatsu<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A Petrobras manterá inalterados os preços da gasolina e do óleo diesel porque ''não há defasagem nenhuma'' entre os preços dos combustíveis no mercado doméstico e no exterior, afirmou ontem o diretor-financeiro da estatal, Sérgio Gabrielli. ''O conceito de defasagem é equivocado. Os analistas estão equivocados'', afirmou o executivo. Segundo um analista do mercado financeiro especializado no setor de petróleo, o preço da gasolina no Golfo do México está 18% mais alto do que o valor cobrado no mercado brasileiro. ''Se houvesse um alinhamento de preços no País, a Petrobras poderia aumentar a gasolina em 18%. Já no óleo diesel não há defasagem'', afirmou o analista, que pediu para não ser identificado.
Para esse especialista, a empresa não fez o repasse porque o consumo de gasolina está em queda há pelo menos três anos. Portanto, se houvesse uma alta nos preços dos combustíveis, avaliou, haveria um desaquecimento muito forte no setor. Ele lembrou que a última mudança nos preços dos combustíveis foi feita em abril de 2003, quando houve uma queda no preço dos combustíveis. Desde então, não houve mais nenhum reajuste na gasolina, no óleo diesel ou no GLP (gás de botijão).
Gabrielli, por sua vez, afirma que ''não se pode traduzir o que está acontecendo no mercado do Golfo do México dia a dia, isso está errado''. Segundo ele, a Petrobras acompanha o valor dos combustíveis em 17 lugares. Por isso, não há possibilidade de a empresa basear os preços da gasolina de acordo apenas com um mercado. ''Não queremos traduzir para o Brasil a volatilidade do mercado internacional. Não vamos associar qualquer flutuação que ocorra no mercado externo à variação do preço no Brasil'', disse.
O diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE) Adriano Pires alega que, ao acompanhar o preços dos combustíveis em 17 mercados, a Petrobras pode escolher o valor ''que a beneficie mais''. Ele considera que a estatal não vai fazer reajustes por motivos políticos. ''Este ano haverá eleições municipais e a popularidade do presidente Lula está caindo'', comentou. Por esse mesmo motivo, acredita que a empresa não vai querer ser responsável por mais alguns pontos porcentuais na inflação.
Ontem, a Petrobras lançou a seleção pública de projetos para o Programa Petrobras Fome Zero, que vai destinar R$ 303 milhões, até 2006, para a erradicação da fome no País. Apenas neste ano, serão reservados R$ 15 milhões para esse programa. A empresa vai receber até o dia 27 de maio os projetos candidatos ao seu patrocínio. Os vencedores serão anunciados em setembro. O presidente da companhia, José Eduardo Dutra, disse que em seis meses a empresa aplicou R$ 80 milhões em projetos de combate ao trabalho e à prostituição infantis, entre outros.


