Petrobras lucra R$ 5,330 bilhões até março
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
Agência Estado 
São Paulo - Menos de um mês após revelar o aguardado balanço auditado referente ao ano de 2014, a Petrobras acaba de divulgar o resultado referente ao primeiro trimestre de 2015, período em que lucrou R$ 5,330 bilhões. O resultado representa uma queda de 1,2% em relação ao lucro líquido de R$ 5,393 bilhões reportado nos três primeiros meses de 2014, porém reverte a tendência negativa registrada no quarto trimestre do ano passado, quando a estatal amargou prejuízo de R$ 26,6 bilhões.
Na oportunidade, a companhia incorporou ao resultado um impacto negativo de R$ 6,2 bilhões atribuído a gastos adicionais capitalizados indevidamente, objeto das investigações de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato, e mais de R$ 44 bilhões por provisionamento decorrente da desvalorização de ativos, também conhecido como impairment.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador que melhor dimensiona a capacidade de geração de caixa da companhia, totalizou R$ 21,518 bilhões no primeiro trimestre, elevação de 50% em relação ao mesmo intervalo de 2014. Já a receita líquida atingiu R$ 74,353 bilhões, queda de 8,8% em igual base comparativa.
A queda do lucro decorre da ausência de itens não recorrentes relevantes, segundo a estatal. O resultado também reflete os diferentes efeitos provocados pela variação cambial nos números da companhia. O dólar valorizado ajuda a impulsionar a receita com exportações, porém torna a importação de combustíveis mais onerosa.
Além disso, a valorização da moeda norte-americana no decorrer do trimestre impacta negativamente o resultado financeiro da estatal, dado que grande parte do endividamento da empresa é denominado em dólar. O resultado financeiro líquido da Petrobras ficou negativo em R$ 5,621 bilhões no trimestre, resultado ainda pior do que os R$ 174 milhões negativos reportados no primeiro trimestre de 2014.
A queda na receita é explicada pela desaceleração da demanda doméstica por combustíveis e, principalmente, pela forte retração no preço internacional do petróleo. O resultado não foi ainda pior graças ao dólar mais favorável às exportações, conforme já mencionado, e ao reajuste de combustíveis aplicado em novembro passado, de 3% na gasolina e 5% no diesel.
Presidente
Em carta aos acionistas e investidores da Petrobras sobre os resultados da companhia, o presidente da estatal, Aldemir Bendine, ressalta, em primeiro lugar, o lucro operacional de R$ 13,3 bilhões e um Ebitda ajustado de R$ 21,5 bilhões registrados no primeiro trimestre do ano, números 76% e 50%, respectivamente, superiores aos do primeiro trimestre de 2014. Resultado que, segundo ele, é explicado, sobretudo, pela maior produção de petróleo, pelas maiores margens nas vendas de combustíveis no Brasil e pelos menores gastos com participações governamentais e importações.
Já a queda de 1% no lucro líquido de R$ 5,330 bilhões é atribuída, especialmente, à depreciação cambial do período. Bendine ressalta que a empresa trabalha para manter o desempenho econômico-financeiro em patamares elevados. "Nosso objetivo é desenvolver uma companhia rentável, com excelência em governança e que seja capaz de utilizar de maneira eficiente sua base de ativos para gerar o máximo de valor aos seus acionistas e investidores", observa. De acordo com ele, é com este propósito que está sendo elaborado um novo plano de negócios que irá delinear a visão para o futuro da companhia.


