Rio de Janeiro - Em discurso na solenidade que comemorou os 50 anos da Petrobras, ontem no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a estratégia de seu governo de nacionalização das encomendas da estatal. Daqui para a frente, assegurou, todas as encomendas para produção de petróleo terão que ter o mínimo de 65% de conteúdo nacional. ''Abdicar da geração de empregos nessa área seria um equívoco quase tão grande quanto abrir mão do petróleo nacional nos anos 50'', afirmou Lula.
O presidente ressaltou os planos de investimentos da Petrobras nos próximos quatro anos. ''A empresa que nasceu sem recursos investirá US$ 34,3 bilhões até 2007, quase 60% de caixa própria que resultarão em encomendas de navios, refinarias, dutos, novas petroquímicas, tecnologia de ponta, oportunidades de empregos e de negócios'', discursou.
Lula foi aplaudido pela platéia de cerca de 800 funcionários e convidados ao lembrar a campanha eleitoral, quando pregou alterações na licitação para construção das plataformas P-51 e P-52. As mudanças nas regras foram feitas no governo petista.
Com o crachá da Petrobras que ganhou de presente do presidente da estatal, José Eduardo Dutra, pendurado no bolso do paletó, Lula torceu para que a estatal atinja a autosuficiência em breve: ''Se Deus quiser, até o final do meu mandato atingiremos o objetivo que mobilizou essa geração visionária de homens e mulheres, a autosuficiência com 100% de petróleo nacional.''
Preço - Durante a cerimônia, que contou com a presença de 13 ex-presidentes da Petrobras, o diretor de abastecimento da companhia, Rogério Manso, descartou um aumento no preço da gasolina devido ao corte de cotas de produção promovido pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) na semana passada. Segundo ele, não há previsão de aumentos de preço no curto prazo. A decisão da Opep provocou uma alta no preço do barril de petróleo e levou a empresa a desistir de promover uma redução no preço do diesel.
Já o diretor de gás e energia, Ildo Sauer, reforçou os planos de investimento de até US$ 20 bilhões nos próximos anos para difundir o uso do gás natural no Brasil. A empresa triplicou as reservas brasileiras e quer encontrar consumidor para o combustível. A estimativa da empresa é que 50% do volume de gás natural produzido no Brasil seja voltado para a cogeração de energia, sistema que gera eletricidade e outros insumos como calor ou frio. Segundo Sauer, a Petrobras espera fechar até o dia 31 de outubro a compra de 25% da distribuidora de gás de Minas Gerais, Gasmig.

mockup