Petrobras investe US$ 2,5 bilhões na Repar
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ao completar 30 anos em atividade, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) - subsidiária da Petrobras em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba - volta seu foco para produção de combustíveis menos poluentes e para o processamento de petróleo 100% nacional. Com os investimentos de US$ 2,5 bilhões, que serão aplicados até 2011, a empresa quer, ainda, ganhar em competitividade, ampliando a oferta de produtos nobres: diesel (o carro-chefe), gasolina e gás de cozinha (GLP).
''O maior investimento da Petrobras no refino será na Repar. O valor investido é uma nova refinaria'', afirmou o gerente geral da Repar, João Adolfo Oderich, ao recepcionar jornalistas, esta semana, na refinaria, como parte da programação do aniversário, que será comemorado, oficialmente, no próximo dia 27. Segundo ele, a nacionalização do petróleo processado pela Petrobras faz parte do programa de investimentos da estatal no País, que, hoje, importa cerca de 15% do produto. Na Repar, a dependência do petróleo de fora é ainda maior: cerca de 30%. Isso, porque a planta da Repar não foi projetada para processar o petróleo nacional - que é mais pesado -, garantindo o máximo aproveitamento do produto para a transformação em derivados nobres.
O gerente de Empreendimentos da Repar, Oscar Tokikawa, explicou que a ampliação no processamento de petróleo nacional na planta de Araucária será possível a partir da implantação da nova unidade, que começará a ser construída em agosto. Metade dos investimentos irão para esse complexo, que transformará óleo combustível em diesel, gás combustível, GLP, gasolina, coque (combustível usado na indústria siderúrgica, de cimento, alumínio e termoelétricas) e gasóleo. O início da operação está previsto para dezembro de 2008. Serão 3 milhões de litros a mais, que os 32 milhões de litros diários processados hoje.
As novas unidades de hidrotratamento - também parte do complexo - têm o propósito de atender a legislação ambiental, reduzindo a concentração de enxofre, tanto no diesel como na gasolina, para 50 partes por milhão (ppm), até 2010. A Repar já investiu, no ano passado, US$ 750 milhões para produzir o diesel metropolitano, que tem concentração de 500 ppm, além dos investimentos feitos na produção do biocombustível (HBIO).
O complexo para gasolina produzirá 6 milhões de litro/dia. A emissão de poluentes dos 625 mil veículos de Curitiba (frota estimada atual) com o uso da gasolina de menor teor de enxofre, equivalerá a 40 mil veículos circulando, comparou Tokikawa. Um próximo passo, adiantou o gerente, será a construção de uma unidade de ''hidrocraqueamento catalítico'' para transformação de diesel e gasolina com concentrações de enxofre inferiores a 50 ppm.
O programa de modernização e expansão, que irá dobrar a complexidade da planta paranaense, começa a sair do papel com as obras, já em andamento, da nova caldeira de geração de vapor. A unidade terá capacidade para 180 toneladas de vapor por hora e deve ser concluída em março de 2008. Ainda este ano, começam as obras da unidade de propeno, que garantirá auto-suficiência na produção desse gás.
Diesel e gasolina representam quase 80% da produção atual. A refinaria, que atende os mercados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo, responde por 12% da produção nacional.


