Rio de Janeiro - O Brasil importará este ano em torno de um bilhão de litros de diesel do tipo S 50 (com 50 partes de enxofre por milhão) para atender à determinação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O volume importado representará dois terços do consumo total previsto para 2009 deste tipo de diesel menos poluente, que começou a ser produzido no país no mês de abril.
Em acordo firmado no ano passado com diversas entidades governamentais, a estatal se comprometeu a fornecer este tipo de diesel às frotas cativas de ônibus urbanos de São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com o cronograma do acordo, a previsão é de que toda a frota abastecida com diesel de Fortaleza, Recife e Belém deverá ter o S 50 até o final do ano. Segundo ele, o diesel S 50 é algo em torno de 10% mais caro do que o produto hoje importado pela Petrobras.
''Estas três capitais foram escolhidas por questões logísticas e receberão o diesel S 50 ainda importado'', disse o diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que anunciou ontem o início da produção do S 50 na Refinaria Duque de Caxias.
A unidade já processou este mês 10 milhões de litros e terá sua capacidade gradativamente elevada até atingir a 360 milhões de litros este ano. Outros 22 milhões de litros já foram importados no primeiro trimestre para abastecerem as frotas de São Paulo e Rio.
Também começarão a produzir o S 50 ainda em 2009 a Replan, Regap e RPBC. Até o final de 2010, todas as unidades estarão produzindo o diesel S 50 e também a gasolina 50 ppm, com exceção da refinaria de Manaus. A maior vantagem para a Petrobras com relação à melhoria na qualidade da gasolina é que a estatal voltará a acessar o mercado americano, que estava fechado para a importação de combustíveis com emissões superiores a 50 ppm. A gasolina fabricada no Brasil hoje está em 1.000 ppms.
Segundo testes realizados em 2,6 mil ônibus dos 8 mil que circulam no Rio de Janeiro, a redução das emissões de gases foi de 16% nos veículos mais novos (de 2000 para cá), mas praticamente insignificante nos veículos mais antigos. ''Por isso estamos insistindo no fato de que os motores têm que se adaptar a este combustível. De nada adianta fazer a nossa parte, se os fabricantes de veículos também não fizerem a sua parte'', disse.
Demanda
Costa negou que a crise financeira mundial tenha afetado ''drasticamente'' a demanda por combustíveis no país. Segundo ele, o primeiro trimestre de 2009 fechou com alta no consumo, de 0,4%, puxada por um crescimento nas vendas de nafta, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo.
O diesel e a gasolina, disse o diretor, tiveram praticamente um empate com relação ao mesmo período de 2008. Mas no caso do diesel há uma particularidade: o combustível que foi utilizado fartamente nas usinas termelétricas no início do ano passado não teve a mesma função em 2009, já que as térmicas não foram acionadas devido ao elevado nível dos reservatórios das hidrelétricas.
Se considerado o consumo nas usinas térmicas em 2008, o consumo de diesel caiu 2,5% no primeiro trimestre deste ano. Mas se descontado este destino, a queda foi de apenas 0,5%.

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