Rio de Janeiro - A Petrobras e a White Martins assinaram ontem contrato para formação de uma joint venture que irá comercializar gás natural liquefeito (GNL). Inédito no País, o projeto faz parte do Plano de Massificação do Uso do Gás Natural e prevê acelerar a expansão do produto para regiões não atendidas por gasodutos. O GNL será produzido a partir de uma planta de liquefação instalada pela White Martins em Paulínia, que consumiu 90% dos US$ 38 milhões aplicados no projeto chamado inicialmente de Gemini.
O sistema de liquefação é uma tecnologia de resfriamento do gás natural a uma temperatura de 160 graus Celsius negativos e que permite a redução de seu volume em 600 vezes, facilitando o transporte em caminhões-tanque. Uma estação de descarga, que terá seu custo bancado pela comercializadora, recebe o produto em seu destino e o entrega para o cliente.
O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, afirmou que a joint venture não vai oferecer concorrência às distribuidoras locais, que detém o monopólio da comercialização do gás nos Estados. Segundo Sauer, o projeto será um ''benefício'' a estas empresas. ''Vamos atuar onde ainda não há gás, criando demanda para estas distribuidoras'', explicou.
A unidade da White Martins vai transformar diariamente 380 mil metros cúbicos de gás em 620 metros cúbicos. ''Apesar de o volume ser pequeno, o projeto está longe de ser um piloto ou uma aventura'', disse Sauer. Segundo ele, a estatal estuda a possibilidade de ampliar a parceria com a White Martins, ou mesmo constituir consórcios com empresas interessadas em repetir o projeto em outras áreas do País. Um grupo de estudo deve definir o nome da comercializadora em 60 dias.
A criação da empresa já foi encaminhada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para análise. A previsão é de que a joint venture esteja operando em 18 meses. ''Dentro deste período queremos agilizar a formação de contratos'', afirmou Murilo Melo, vice-presidente da White Martins. Os principais alvos para este negócio, segundo ele, serão indústrias e distribuidoras de combustíveis interessadas em abastecer seus postos com GNV e que não tenham acesso ao gasoduto.
Melo lembra que o custo do combustível para o consumidor final deve variar de acordo com o volume, a distância para o transporte e a frequência do abastecimento. ''O gasoduto ainda é o meio mais barato de transporte, mas o GNL e o GNC (Gás Natural Comprimido) são alternativas competitivas onde ele não existe'', comentou. O GNC é um sistema que condensa em 350 vezes o volume do combustível em ampolas ou botijões e é mais viável para o transporte em menor quantidade e em distâncias inferiores a 200 quilômetros.

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