Petrobras faz obra de US$ 150 milhões
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Denise Angelo Equipe da Folha 
Curitiba - A maior obra em construção no Sul do Brasil está no Paraná e vai representar, num período de 24 meses, investimentos de US$ 150 milhões no município de Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Trata-se da Unidade de Hidrodessulfurização (HDS) da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, a Repar, da Petrobras.
O nome complicado nada mais é do que uma nova planta industrial que terá a função de reduzir a quantidade de enxofre existente no óleo diesel produzido pela Repar. A atual legislação ambiental brasileira permite a produção de dois tipos de diesel: o metropolitano, para regiões metropolitanas e concentração máxima de enxofre de 0,20%, e o diesel interior, para ser vendido nos demais municípios. Como nessas cidades o fluxo de veículos é menor, o índice de enxofre pode chegar a 0,35%.
Mas a partir de 2003 a legislação ficará mais rigorosa e o diesel metropolitano terá que apresentar apenas 0,05% de enxofre em sua composição. Isso porque o enxofre do diesel é liberado no meio-ambiente sem transformação, provocando a fumaça preta que sai do escapamento de ônibus e caminhões e criando cortinas de fumaça que comprometem a qualidade do ar.
A planta industrial em construção na Repar vai reduzir em quatro vezes o volume de enxofre existente hoje no diesel na forma de gás, transformando-o em resíduo sólido que será vendido como matéria-prima para diversas indústrias. O enxofre sólido pode ser utilizado na produção de açúcar, no clareamento do papel, na produção de explosivos e fertilizantes. Na forma de gás é poluente, explica o gerente de empreendimentos da Repar, Sérgio Nicco Czelusniak. Para se ter uma idéia do tamanho da poluição produzida pelo enxofre, a cada mil quilos de diesel consumido, dois quilos são jogados na atmosfera.
Além de proporcionar a produção de um produto mais limpo, a construção pretende seguir normas ambientais. O lixo produzido no canteiro de obras é separado e recebe a destinação adequado. Para o aço que restar na construção, por exemplo, já foi assinado convênio com uma siderúrgica da região que se encarregará de recuperar o material.
Para colocar em prática todo esse projeto, serão necessários U$ 150 milhões. E somente 8% desse valor serão gastos com equipamentos adquiridos fora do Brasil. A execução da obra teve início em outubro do ano passado e está sob a responsabilidade do consórcio formado pelas construtoras Norberto Odebrecht, Ultratec e Inepar. A torre de resfriamento, que vai originar uma planta a parte, necessária para a implantação da HDS, gerou outro contrato. A licitação foi vencida pelo mesmo consórcio.
No momento, a construção atingiu 9% do total e emprega 300 pessoas. Czelusniak informa que no pico da obra estarão trabalhando no canteiro 1,3 mil pessoas. A nova planta industrial deve estar concluída em outubro de 2003 e terá capacidade para tratar 4,4 milhões de litros de diesel diariamente. A Repar será a segunda refinaria do País a produzir o combustível nessa especificação. Por enquanto, só a unidade de Cubatão (SP) produz diesel neste padrão.


