Petrobrás estuda comprar distribuidora de GLP
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de junho de 2003
Agência Folha 
Rio de Janeiro - A Petrobras quer uma nova regulamentação para o setor que permita que as quedas de preço na refinaria cheguem ao consumidor final, sem ficarem perdidas no meio da cadeia de distribuição e revenda.
Uma outra opção em estudo é entrar no ramo de distribuição de gás - ou comprando uma distribuidora ou expandindo as atividades da BR, que só atua no segmento industrial. O objetivo é aumentar a competição, já que, como a estatal está em toda a cadeia, pode praticar preços menores.
Segundo o diretor financeiro da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, não adianta a estatal reduzir o preço na refinaria se não há garantia de que o benefício vá chegar ao consumidor. O preço do gás de cozinha na refinaria está parado desde o final do ano passado, quando subiu 7,7% em 29 de dezembro. Especialistas afirmam que no momento já há espaço para uma redução de preço na casa de um dígito.
Para o diretor, o mercado de GLP é complexo e com vários elos em sua na cadeia. Por isso, precisa sofrer mudanças na sua regulamentação. Essas alterações, disse, cabe ao governo definir. Gabrielli afirmou que a empresa pode até mesmo ter prejuízo com o GLP, que representa só 7% da receita da companhia, mas que, na visão dele, tem um importante impacto social por ser um produto de uso essencial.
A estatal só aceita deixar de ganhar com o GLP, afirmou, se o benefício alcançar o consumidor e não ficar com outros agentes do setor. Ele lembrou que, do preço final, apenas R$ 11 são referentes ao valor da refinaria. O preço médio do botijão é de R$ 29,57, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Um grupo de trabalho do Ministério de Minas e Energia, da Petrobras e do Ministério da Fazenda já estuda as alterações. Uma delas em análise é permitir que o revendedor possa comprar de mais de uma distribuidora, o que hoje é vedado. A proposta enfrenta forte oposição do Sindigás (sindicato das distribuidoras), que afirma que a medida irá aumentar as irregularidades no setor sem ter efeito prática na queda dos preços.
Gabrielli disse ainda que não há previsão para uma nova redução dos preços da gasolina e do diesel - a última queda foi em maio.


