Petrobras é a maior empresa do País
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>Do Rio 
A Petrobras liderou, pelo sétimo ano consecutivo, o ranking das dez maiores companhias nacionais. O levantamento, feito pela Fundação Getúlio Vargas desde 1970, nunca apontou uma empresa privada em primeiro lugar. O destaque da classificação de 2001 (feita com base nos registros contábeis do ano passado) foi a Telesp, privatizada em julho de 98, que ganhou 27 posições no ranking, passando do 29º para o 2º lugar.
O saldo não foi motivado por um desempenho espetacular, mas pela engenharia contábil resultante da incorporação da operadora Telesp pela holding Telesp Participações. Foi mais ou menos o que ocorreu com a BR Telecom, que pulou 45 posições, passando para a sétima colocação. Ao longo de 2000, a holding BR Telecom incorporou algumas pequenas empresas.
Pela ordem, as dez primeiras colocadas foram Petrobras, Telesp, Vale, Furnas, Embratel, Grupo Pão de Açúcar, Brasil Telecom, Sabesp, CSN e Eletropaulo.
As 500 maiores empresas de sociedade anônima brasileiras aumentaram suas receitas, lucro, rentabilidade e melhoraram o perfil de seu endividamento em 2000. Mas, do mesmo modo que o bom resultado das empresas de telecomunicações, o desempenho favorável do total deveu-se não apenas aos méritos empresariais, mas à fraca performance de 1999, ano marcado por uma violenta desvalorização cambial acompanhada de significativa elevação de juros. ''O ano de 99 foi uma catástrofe financeira. O resultado financeiro foi tão negativo que comeu os lucros'', disse o economista Salomão Quadros, coordenador da pesquisa.
Por isso, mesmo destacando os ganhos de 2000, ele comentou que o resultado ficou abaixo das previsões da FGV. ''A gente esperava que o resultado fosse melhor. Foi uma boa performance em relação à qualidade de endividamebnto, rentabilidade e liquidez, mas de alguma forma foi frustrante e é um sinal de que a expectativa de crescimento ainda não está assegurada a longo prazo.'' De qualquer forma, ele não acredita em uma repetição, em 2001, do fraco desempenho do ano anterior.
''O ano de 99 começou com o País em recessão e houve uma recuperação em meados do ano. Em 2001, ao contrário, o ano começou bem, está havendo uma freada, mas não temos todos os ingredientes para um resultado financeiro tão ruim como o de dois anos atrás.''
Em 2000, as empresas conseguiram se recuperar do fiasco de 99. Um exemplo é que, enquanto há dois anos 219 das 500 empresas pesquisadas apresentaram prejuízo, no ano passado, o universo de empresas deficitárias caiu para 154.
Seis das dez maiores empresas brasileiras são do setor de serviços (três de telecomunicações, duas de eletricidade e uma de saneamento); quatro são do setor industrial básico (refino de petróleo, extração mineral e metalurgia básica), e uma do comércio varejista. A primeira representante da fabricação de produtos finais aparece em 13º lugar, a Embraer. A montadora de veículos Fiat, que até o ano passado aparecia entre as dez primeiras, perdeu seis colocações e caiu para o 16º lugar.
Para chegar ao resultado, os técnicos da FGV fizeram dois ranqueamentos: um por ativo total e outro por receita operacional líquida. Foi feita uma média entre as duas posições relativas das empresas e, em caso de empate, o critério de desempate foi a maior receita.
Por este método, o Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, que ficou em 20º lugar em valor de ativos e sexto em receita, foi a sétima colocada geral, imediatamente à frente da BR Telecom, 15 em ativos e 16em receita. As duas empataram em pontos conquistados: 26 no total, mas a receita da rede de supermercados foi superior em R$ 3 bilhões à da operadora de telefonia.


