Petrobras diz que alta do gás não será imediata
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sábado, 13 de maio de 2006
Irany Tereza e Nicola Pamplona<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Integrante da comissão que negocia com a Bolívia, o diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, retornou de La Paz, no dia 10, convencido de que a posição dos interlocutores bolivianos é bem diferente do discurso do presidente Evo Morales. Ele assegura que não haverá aumento imediato do gás, que a Petrobras será ressarcida pela apropriação do controle das refinarias e diz que a empresa pode se desfazer das unidades caso as condições não sejam favoráveis.
Agência Estado - Remuneração de 18% sobre a receita de produção de gás cobre os custos na Bolívia?
Nestor Cerveró - Estamos fazendo essa avaliação. Estamos achando que não. É muito difícil sustentar só com 18%. Hoje nós recebemos o preço que é pago pela YPFB, descontado o transporte. O problema é que isso tem que pagar todos os custos, toda a manutenção da produção, amortizar o investimento do gasoduto, feito há quatro anos. O que posso dizer é que 18% não cobre investimento novo nenhum.
AE - Dá para acreditar que é provisório?
Cerveró - Isso é provisório, porque no próprio decreto supremo (que regulamenta a nacionalização) existe um prazo de 180 dias para ser definido (o tributo). Vale a pena ressaltar que nos demais campos estão mantidos os 50%.
AE - Os investimentos na Bolívia foram suspensos...
Cerveró - Foram suspensos porque se referem especificamente à produção nova. E, mantidas as condições de 82% de royalties, produção nova é inviável. Não precisa nem fazer conta. Tínhamos feito um pedido à TBG (operadora do Gasbol) para trazer mais 15 milhões de metros cúbicos por dia. Isso daria um valor de US$ 1,5 a US$ 2 bilhões entre produção, duto, ampliação do Gasoduto Brasil-Bolívia. Isso seria até 2010, mais ou menos. Nos últimos anos não temos feito investimento nenhum na Bolívia, devido a essa incerteza. Só investimentos muito pequenos, mais de manutenção.
AE - O governo boliviano disse que não haverá indenização pela apropriação das refinarias.
Cerveró - Não. Eles não estão dizendo. Na reunião, o ministro Solíz (Rada, de Hidrocarbonetos) e o presidente (Jorge) Alvarado, da YPFB, garantiram que será feita a compensação. O que foi acertado na reunião (do dia 10, em La Paz) é que haverá um grupo de alto nível, que vai supervisionar, formado pelos dois ministros, Solíz e Silas (Rondeau, de Energia), e os dois presidentes, o (José Sérgio) Gabrielli e o Alvarado. Isso foi dito explicitamente.
AE - O presidente Evo Morales disse na quinta-feira que não vai dar dinheiro nenhum...
Cerveró - Posso te responder sobre a reunião da qual participei. Não posso falar sobre especulação. O que está assinado por um ministro de Estado boliviano, que tem poderes de representação, nos garante um mecanismo de compensação. Quanto vai ser? Isso vai ser negociado ao longo de seis meses. Provavelmente serão contratados auditores de um lado e do outro, para chegar a um valor. Pagamos cerca de US$ 100 milhões pelas duas, em 1999. E houve um investimento significativo em termos das melhorias das condições operacionais.
AE- Interessa à Petrobras ficar como minoritária?
Cerveró- Estamos avaliando. Faz parte das negociações. É o famoso acordo de acionistas. Nesses seis meses, além da questão de quanto vai ser a indenização, há também a definição das condições operacionais. Vamos avaliar se nos interessa ou não permanecer na refinaria nas condições que vierem a ser estabelecidas ou negociadas. Se vale a pena continuar ou não. Uma coisa é receber o pagamento por 50%, outra é como vai ficar a administração e a operação dessas refinarias. Isso vai refletir nosso desejo de ficar ou não.
AE - A Petrobras pode sair da Bolívia?
Cerveró - Francamente, acho que não.
AE - O discurso dos representantes da Bolívia, a portas fechadas, é diferente do que é dito em público?
Cerveró - Não sei. Na realidade, a primeira negociação que houve foi essa de quarta-feira. Eles sentaram à mesa e houve vários discursos. Anunciaram que vai haver negociação. Não é uma postura rígida, senão não seria uma negociação, seria uma imposição e não valeria a pena gastar cinco horas conversando. Ficou claro que o aumento do preço do gás, quer dizer, a negociação do preço do gás vai ser feita.
AE - Ato falho...
Cerveró - Não, é porque eles querem aumento, não querem redução. Um coisa eu posso garantir: em nenhum momento foi mencionado qualquer tipo de valor (para o aumento do gás).
AE - De imediato não haverá reajustes?
Cerveró - Não.


