Petrobras decide cortar investimentos
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Agência Estado 
Rio e São Paulo - A Petrobras vai mudar de tamanho. Por causa do rombo que o esquema de corrupção denunciado à Polícia Federal na Operação Lava Jato e também por conta da crise por que passam petroleiras no mundo todo, com a queda do preço do barril de petróleo, a estatal decidiu cortar investimentos, desacelerar projetos e ser seletiva na aquisição de novas áreas de exploração e produção. Até mesmo a extração de petróleo, principal fonte de receita da empresa, "será atenuada", disse a presidente da companhia, Graça Foster, em coletiva de imprensa para apresentar o resultado financeiro do terceiro trimestre de 2014.
"O mote do Plano de Negócios para 2015 e depois é o redimensionamento da Petrobras", afirmou a executiva, antecipando as premissas do documento que só será divulgado em junho. O esforço da companhia é para evitar novas captações e dívidas nos próximos anos, diante da falta de credibilidade no mercado, e evitar uma piora em seus indicadores de alavancagem, que chegou a 43% - ante uma meta definida de 35% pelo conselho de administração.
A desconfiança dos investidores poderá se agravar ainda mais após a possibilidade levantada pelo diretor financeiro, Almir Barbassa, de não haver pagamento de dividendos referentes a 2014. Segundo o diretor, a companhia ainda não trabalha com a hipótese, mas ela poderá ser utilizada a depender da "situação da companhia". "Se uma companhia, qualquer companhia, julga que há situação de estresse financeiro, há a possibilidade de não haver pagamento."
São três os cenários analisados pelo diretor. Caso a empresa não registre lucro em 2014, automaticamente, não será pago o dividendo. Se houver lucro, poderá registrar o dividendo, mas adiar o seu pagamento. Ou ainda, mesmo com o lucro, não distribuí-lo aos acionistas e fazer uma reserva especial para retribuir os investidores quando a condição financeira for mais favorável.
O grande desafio para a companhia, neste momento, é conseguir mensurar o estrago que a corrupção causou no seu patrimônio. Só com essa informação, ela poderá finalmente, publicar o relatório financeiro de 2014 auditado. O prazo vence em quatro meses para evitar o pagamento antecipado de dívidas.
Produção
A preocupação com as condições de financiamento das operações da companhia já pesa sobre as previsões de investimentos, sobretudo na área de Exploração e Produção. A companhia anunciou que espera investir entre R$ 31 bilhões e R$ 33 bilhões em 2015 - cerca de 25% menos que no último ano. O corte atingirá sobretudo a atividade exploratória, que será reduzida "ao mínimo necessário", segundo Graça Foster.
A meta de produção foi revista para que a companhia possa "suportar" os volumes de investimentos. "Não queremos prometer um óleo que depois a gente não consiga suportar na financiabilidade que a empresa precisa para vencer 2015", frisou o diretor de Exploração e Produção, José Formigli.
A companhia também irá vender áreas de produção consideradas menos prioritárias. Com a retração do preço internacional do barril de US$ 100 para US$ 50, desde outubro, a petroleira vai esperar até o fim do ano para fazer os desinvestimentos. Nesse período, a Petrobras considera que a cotação do petróleo volte a subir e a venda de ativos passe a valer a pena. A previsão é arrecadar R$ 3 bilhões com as operações.
Serão revistos projetos no Brasil e no exterior. Das quatro refinarias planejadas, duas foram abandonadas: as Refinarias Premium, anunciadas nos governos Lula, nunca saíram do papel e geraram custos à estatal de R$ 2,7 bilhões. As duas que permanecem no planejamento da estatal, a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), terão seus prazos revistos.
Preços
Se todo o esforço for bem sucedido, a companhia chegará ao final do ano com caixa módico de US$ 8 bilhões. Uma condição fundamental para esse plano, entretanto, é a manutenção dos preços dos combustíveis em um nível superior ao praticado no mercado internacional. Com isso, a empresa consegue comprar parte do produto que comercializa no Brasil a preços bastante inferiores aos de venda no mercado interno. A diferença de preços para a gasolina, por exemplo, está em torno de 70%.
Graça diz que essa política de preços dos combustíveis "é muito importante para o caixa da companhia" e que "vai trabalhar" para mantê-la. Ela admite que poderá sofrer a concorrência de outras empresas no comércio de óleo diesel, principalmente. Com a cotação favorável no exterior, essas empresas poderão preferir importar o produto a comprar das refinarias da estatal. Ainda assim, manter os preços mais elevados no Brasil compensa mais para a estatal.


