Petrobrás continua dominando o mercado
Agência Estado
O leilão de áreas de exploração de petróleo, realizado nos últimos dois dias pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), deu ao País 12 novas companhias na disputa pelo mercado. Mas a Petrobrás, que monopolizou o setor durante 45 anos, continuará sendo a operadora dominante.
Depois da licitação, a empresa conseguiu ampliar a área de atuação que havia lhe restado após a partilha com a ANP, retomando blocos em regiões promissoras. Das 27 áreas licitadas, 12 foram vendidas, por um valor total de R$ 321.655.955,00 e ágio total de 11.225,91% em relação ao preço mínimo dos blocos vendidos.
A Petrobrás foi a maior compradora, arrematando cinco dos blocos, isoladamente ou em consórcios. Os outros é que foram frouxos, comentou diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, sobre o contraste entre a agressividade da Petrobrás e a timidez de outras companhias, que causou o encalhe de mais da metade das áreas ofertadas.
Ele se mostrou surpreso com o grande número de áreas que não receberam propostas. Ao todo, foram 15 das 27 áreas que continuaram sob controle da ANP. Nenhuma das áreas de exploração em terra - inclusive as três da Bacia do Paraná - foram vendidas nos dois dias de leilão. Muita empresa falou muito e na hora de agir, não agiu, criticou.
As megacompanhias deram o tom da primeira licitação do setor de petróleo no País. Das 38 empresas habilitadas, 12 fizeram lances e apenas três delas podem ser consideradas de médio porte. As demais são grandes conglomerados que operam nas maiores bacias de petróleo do mundo. Mas, no Brasil, preferiram uma entrada cautelosa.
Somente a italiana Eni, holding controladora da Agip do Brasil, teve uma participação destacada, sendo a Segunda maior compradora, com quatro blocos. O presidente da empresa, Rocco Valentinetti, porém, atribuiu sua atuação mais a uma estratégia empresarial para formar moeda de troca em associações futuras.
Das grandes companhias, a Agip foi a única a não acertar parceria com a Petrobrás antes da licitação. Perdemos o prazo, lamentou. A Shell, a Segunda no ranking mundial, surpreendeu disputando apenas dois blocos e vencendo um, na Bacia de Foz do Amazonas, com outras três parceiras (Esso, BP/Amoco, Petrobrás e British Borneo).
A expectativa é de que a estatal brasileira estenda sua participação no mercado ainda mais, já que a maioria das empresas vencedoras do leilão manifestaram interesse em oferecer participação à estatal, em troca de associações em outras áreas no País.
O superintendente de licitações da ANP, Ivan de Araujo Simões Filho, estranhou o comportamento das empresas, já que pela quantidade de depósitos de caução feitos, era esperada competição em quase todas as áreas. Foram depositadas dezenas de cauções e empresas que fizeram até cinco depósitos não compareceram com nenhum lance, surpreendeu-se Simões Filho.
A ANP terá de devolver as cauções não utilizadas, cada uma no valor de US$ 500 mil. A falta de interesse na maioria das áreas, porém, já era prevista por muitos participantes do leilão. Havia áreas com maiores atrativos do que outras e é normal que algumas não sejam vendidas, disse Jean-Paul Prates, diretor da Expetro Internacional, consultoria especializada em petróleo.
A ANP ainda vai analisar qual será a estratégia para a próxima rodada de licitações de áreas para exploração de petróleo no Brasil. Um dos projetos para aumentar o interesse dos investidores é diminuir a variedade das áreas oferecidas nos leilões, dividindo as licitações de acordo com a característica de cada área.





