São Paulo - A Petrobras, a Braskem e a Ultrapar divulgaram ontem comunicado conjunto anunciando a compra dos ativos do Grupo Ipiranga. O valor estimado da transação é de aproximadamente US$ 4 bilhões (R$ 8,4 bilhões).
''Em linha com seu planejamento estratégico, a Petrobras reforça sua presença ativa na petroquímica nacional, consolida suas posições na distribuição, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e amplia sua presença nos vários segmentos em que atua'', afirmou em comunicado o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli de Azevedo.
''Com esta aquisição ampliamos significativamente nossas operações na área de distribuição de combustíveis, passando a ter duas grandes marcas na distribuição de derivados de petróleo: Ultragaz e Ipiranga'', disse, no aviso, o presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski.
''Esta nova etapa da consolidação do setor petroquímico traz um potencial importante de crescimento para a Braskem, com um novo patamar de competitividade e rentabilidade para os nossos negócios'', complementou José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, no aviso. ''Com essa iniciativa, a Braskem dá um passo decisivo no rumo de se tornar uma das dez principais empresas petroquímicas internacionais em valor de mercado''.
Pelos termos do negócio, o Grupo Ultra ficará com a rede de distribuição de combustíveis do Grupo Ipiranga nas regiões Sul e Sudeste e continuará operando com a marca Ipiranga. A Petrobras assumirá a rede de distribuição da Ipiranga no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e terá até cinco anos para uso da marca Ipiranga, período em que será substituída gradualmente pela marca Petrobras Distribuidora.
No setor petroquímico, a Braskem passará a deter 60% dos ativos do Grupo Ipiranga no segmento e reforçará sua posição de controle na Copesul. A Petrobras terá a fatia restante de 40%. Em refino, as operações da Ipiranga no Rio Grande do Sul serão controladas, em partes iguais, pela Petrobras, pelo Grupo Ultra e pela Braskem, que se comprometem a dar continuidade às atividades.
Repercussão - O mercado recebeu de forma positiva a aquisição da Ipiranga pela Petrobras, em parceria com o Grupo Ultra e com a Braskem. ''Foi uma engenharia interessante montada para a aquisição, porque veta questionamentos sobre concentração de mercado'', comentou o diretor de Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE).
Para Felipe Cunha, do banco Brascan, a operação é ''um importante sinalizador da perspectiva de maior consolidação no setor petroquímico''. O co-presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho também avaliou positivamente a transação. ''O negócio já era esperado e faz parte do processo natural de consolidação do setor'', comentou. ''As empresas precisam de escala para competir mundialmente, de forma que um negócio como esse é bastante positivo'', complementou.
A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, deverão fazer em conjunto a instrução da compra da Ipiranga pela Petrobras, Brasken e Grupo Ultra. Segundo fontes do governo, tão logo a realização do negócio seja comunicada ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência - que inclui além das duas secretarias, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) -, o impacto da operação na concorrência do setor começará a ser avaliado pela Seae e SDE. As duas secretarias apresentarão, então, pareceres ao Cade para servirem de subsídio no julgamento final.
A expectativa é de que a operação seja analisada também pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Como se trata de um setor complexo, do ponto de vista de competição, devido ao tamanho da Petrobras no mercado, o Cade deverá esperar um parecer técnico da ANP sobre a constituição de todos os segmentos que deverão ser afetados pelo negócio.

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