Rio de Janeiro - A gasolina vai ficar 10,8% mais cara a partir de hoje. O reajuste foi anunciado ontem pela Petrobras. Esse é o primeiro aumento anunciado pela empresa no governo Lula. Em abril do ano passado, a estatal reduziu o preço dos combustíveis em 6,5%.
A alta se deve ao aumento do petróleo, que ultrapassou os US$ 40 em Nova York no mês passado, e dos combustíveis nos mercados internacionais. Também haverá reajuste para o diesel, de 10,6%. O governo não vai mexer no preço do gás de cozinha (GLP).
Apesar da estatal não ter mexido nos preços neste ano, os combustíveis já estavam mais caros desde o final de maio, quando várias distribuidoras aumentaram o preço da gasolina e do álcool em cerca de 1,5% e 12%, respectivamente. O reajuste foi provocado pelo aumento do preço do álcool - a gasolina vendida nas bombas tem 25% de álcool.
Segundo a última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina no País subiu de R$ 1,983 para R$ 1,996 entre maio e a primeira semana de junho. No caso do álcool, o aumento foi de R$ 1,036 para R$ 1,111.
Ao contrário da maioria das petrolíferas internacionais, a estatal brasileira adiou o mais que pode o reajuste dos combustíveis. A estimativa dos analistas é de que a Petrobras estava vendendo a gasolina nas suas refinarias com descontos de até 30%.
Ontem, o petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York esteve cotado a US$ 37,50. No mês passado, chegou a bater a marca dos US$ 40. O barril do petróleo tipo Brent para entrega em julho, negociado em Londres, está cotado a US$ 35,22.
A ausência de um reajuste no preço dos combustíveis no primeiro trimestre foi um dos fatores para a queda de 28% no lucro da estatal no período em relação ao mesmo trimestre do ano passado - R$ 3,972 bilhões ante R$ 5,5 bilhões.
O último reajuste da gasolina foi anunciado em abril do ano passado, quando a Petrobras reduziu o preço em 6,5% nas refinarias (5% nos postos). Antes disso, houve um aumento nos preços no final do governo FHC, em dezembro de 2002.
Em Curitiba o aumento anunciado pela Petrobras surpreendeu os donos de postos combustíveis e consumidores desprevenidos. O aumento vigora desde a zero hora de hoje. Os postos no Paraná não tiveram tempo de fazer estoques e nem os consumidores puderam se preparar, disse Roberto Fregonese, presidente do Sindicombustíveis.
No Paraná, o reflexo nas bombas deverá ser de 6,2% na gasolina e 8,1% no óleo diesel, se houver apenas o repasse da Petrobras. Se as distribuidoras e revendedoras aproveitarem o reajuste da Petrobras para elevar seus preços, o impacto para o consumidor poderá ser maior. A previsão é que o preço médio da gasolina tenha um reajuste de R$ 0,14 por litro e R$ 0,10 por litro de óleo. Com isso, o preço da gasolina deve superar R$ 2 por litro em todo o Estado. (Colaborou Vânia Casado)

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