Rio - A Petrobras anunciou ontem que a companhia atingiu o recorde de barris de petróleo extraídos da camada pré-sal no último dia 24, com 520 mil barris por dia (bpd). Em evento na sede da empresa, no Rio de Janeiro, a presidente da estatal, Graça Foster, destacou que o resultado representa hoje 22% da produção total da companhia, de 2,1 milhões de bpd. A previsão é chegar a 52% em 2018, com 3,2 milhões de bpd.
A empresa ultrapassou a barreira dos 500 mil bpd em oito anos e com 25 poços, nas bacias de Santos (SP) e de Campos (RJ). Sobre os 41 mil barris de produção em 2010, o volume cresceu 12 vezes. Como comparação, a própria Petrobras demorou 31 anos desde a fundação, em 1953, para atingir 500 mil bpd. Na exploração do pós-sal, em Campos, demorou 21 anos para que a companhia chegasse à mesma marca. Na comparação com o Golfo do México, a demora foi de 25 anos para fechar com o mesmo volume e, no Mar do Norte, de dez anos.
Dos 520 mil bpd, 78%, ou 406 mil bpd, correspondem ao volume da estatal. O restante é direcionado à contribuição de empresas parceiras da companhia na exploração do pré-sal. A presidente da Petrobras disse que a companhia já trabalha com a expectativa de chegar aos 4,2 milhões de bpd em 2020. "Temos planejamento de alcance do crescimento da produção até 2020, mas o fato é que o grosso do investimento que temos hoje se mantém até 2022 com o que já temos contratado", afirmou.
Graça se referiu ao empenho somente de receitas como fonte de investimentos, sem considerar acúmulo de ativos novos vindos de investidores. A Petrobras tem sofrido com a queda no preço de ações diante de uma leitura do mercado de interferência política nos reajustes de preços de combustíveis por parte do governo, o que reduz a capacidade de investimento da empresa.
A estatal importa combustíveis a preços maiores do que os de distribuição no mercado nacional. Questionada sobre a questão, a presidente da estatal disse que a política de preços dos combustíveis é da Petrobras, e não do governo. Considerou ainda que não tem de buscar explicações para o valor das ações, que têm sofrido com uma pressão grande do mercado, ainda que acredite que não há motivo para que estejam tão em baixa, para uma empresa que produz mais de 2 milhões de bpd. "A hora em que eu entregar ao mercado o que estou dizendo que vou entregar, tenho certeza de que as ações voltarão ao patamar em que deveriam estar", afirmou.
Nos próximos cinco anos, a Petrobras investirá US$ 70 bilhões na construção de cinco poços exploratórios e de desenvolvimento da produção no Brasil. Graça disse ontem que a produção no pré-sal permite que o Plano de Negócios e Gestão seja cumprido integralmente até 2018. A presidente da companhia também apresentou recentemente o planejamento estratégico até 2030, pelo qual não pretende buscar recursos na bolsa nos próximos 16 anos.

O jornalista viajou para o Rio de Janeiro a convite da Petrobras

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