Reprodução e Mauro FrassonEnergia alternativaO mapa mostra o potencial industrial de gás natural dos principais pólos do Paraná. Abaixo, o início das obras do gasoduto Brasil-Bolívia em Araucária. Trabalhos foram iniciados ontem e deverão estar concluídos no prazo de um anoO presidente da Petrobrás, Joel Rennó, vai assinar no próximo dia 18 de dezembro, durante a inauguração da usina de Salto Caxias, uma carta de intenção para estudar a viabilidade econômica, financeira e ambiental da construção de um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia na região Norte do Paraná. A assinatura do compromisso foi anunciada ontem pelo presidente da Copel, Ingo Hubert, durante audiência entre empresários, políticos e o governador Jaime Lerner, no Palácio Iguaçu. A reunião teve o objetivo de pedir o apoio do governo do Estado para a construção de um ramal na região.
Hubert informou aos participantes, entre eles o fundador da Folha, João Milanez, que o ramal seria construído em parceria entre a Copel e a Petrobrás. ‘‘A partir da conclusão deste estudo será possível determinar como se dará a construção do ramal Bauru-Londrina’’, afirmou Hubert. O ramal, que teria uma extensão aproximada de 200 quilômetros, permitiria o fornecimento de gás natural para as indústrias das regiões Norte e do Sul de São Paulo.
Com o ramal, os municípios do Norte do Estado poderiam ser abastecidos tanto pelo gás da Bolívia quanto pelo gás natural da Argentina, Paraguai e pela mina paranaense de Pitanga, no Centro do Estado, onde se descobriu uma reserva capaz de abastecer a região com 1 milhão de metros cúbicos de gás natural (leia nesta página). Estas quatro opções estão sendo negociadas pelo governo do Estado, com os governos da Argentina e Paraguai.
O gasoduto da Argentina entraria no Paraná pela região Sudoeste e forneceria 2 milhões de metros cúbicos de gás. O gasoduto do Paraguai teria capacidade para receber 500 mil metros cúbicos e o da Bolívia forneceria 1,7 milhão de metros cúbicos. Somando todas as fontes, o Estado teria um potencial de fornecimento diário de 3,7 milhões de metros cúbicos.
O presidente da Compagás, Luiz Roberto Bruel, disse que o projeto para a construção da rede de gás no Estado totaliza 3 mil quilômetros e corta, praticamente, todas as regiões, permitindo que os principais pólos industriais tenham o gás. A obra está orçada em R$ 2,5 bilhões e seria custeada pela Copel, com a iniciativa privada e financiamentos de bancos internacionais.
Liderados pelos prefeitos de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), e de Maringá, Jairo Gianotto (PSDB), os participantes da reunião tentaram mostrar que a região precisa do gás natural para se desenvolver. ‘‘Os municípios que não tiverem o gás natural estão condenados ao fracasso total’’, afirmou Belinati. Ele disse que a alternativa para viabilizar o gasoduto é a construção de uma termoelétrica no Norte.
As obras do gasoduto Brasil/Bolívia começaram a ser executadas ontem em Araucária e devem ser concluídas no prazo de um ano. (C.M.)

mockup