Petrobras anuncia alta de R$ 0,10 no litro do diesel
A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (17) aumento de até 5,1% no diesel nas refinarias. De acordo com a empresa, reajuste médio será de R$ 0,10 por litro. Medida foi tomada seis dias após o recuo do aumento, a pedido do presidente Jair Bolsonaro para evitar uma nova greve dos caminhoneiros
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quinta-feira, 18 de abril de 2019
A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (17) aumento de até 5,1% no diesel nas refinarias. De acordo com a empresa, reajuste médio será de R$ 0,10 por litro. Medida foi tomada seis dias após o recuo do aumento, a pedido do presidente Jair Bolsonaro para evitar uma nova greve dos caminhoneiros
Folhapress 
Rio - Seis dias após recuar em reajuste do diesel a pedido do presidente Jair Bolsonaro, a Petrobras anunciou nesta quarta (17) aumento de até 5,1% no preço do combustível em suas refinarias. Segundo a empresa, o reajuste será médio será de R$ 0,10 por litro.
Em entrevista, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que o episódio teve um "final feliz". "Pela primeira vez foi reafirmada a independência da Petrobras para estabelecer os seus preços de combustível. Por outro lado, foi revelado o apoio do governo ao processo de venda de refinarias", disse.
O aumento é inferior aos 5,7% anunciados na quinta (11). Segundo Castello Branco, a redução do índice foi proporcionada pela redução dos custos de frete marítimo, um dos componentes da fórmula de preços da estatal, e de ganhos com mecanismos financeiros usados para reduzir perdas com represamento de preços.
Castello Branco disse que por enquanto a empresa não pensa em mudanças em sua política, que hoje limita reajustes do diesel a períodos mínimos de 15 dias. "Mas nada impede isso. [Não precisamos] ficar apegados a uma periodicidade", afirmou, declarando-se contrário a reajustes diários.
A suspensão do reajuste ocorreu após telefonema de Bolsonaro a Castello Branco no fim da tarde de quinta. O presidente alegou preocupação com nova greve dos caminhoneiros e a Petrobras decidiu esperar "alguns dias", segundo informou na ocasião.
Nesta quinta, o presidente da Petrobras defendeu que a decisão foi interna. "O presidente Bolsonaro não me pediu nada, ele me alertou sobre os riscos e eu reconheço que a preocupação dele era legítima", afirmou.
"A determinação de preços sem a consideração desses riscos deu no que deu e foi um custo muito alto para a Petrobras e muito maior para a economia brasileira. Todos nós sofremos com a greve dos caminhoneiros. Faz parte da minha atividade como administrador não só olhar para os retornos mas olhar para os riscos", alegou.
A decisão derrubou as ações da estatal na sexta (12), reduzindo em R$ 32 bilhões o valor de mercado na bolsa, diante dos riscos de novas intervenções políticas em sua gestão. O represamento dos preços dos combustíveis durante o governo Dilma foi um dos motivos para o crescimento da dívida da empresa.
Esta semana, o governo anunciou um pacote de medidas para acalmar os caminhoneiros e escalou ministros para reforçar a independência da Petrobras na gestão dos preços dos combustíveis. Entre os transportadores, porém, as medidas foram consideradas insuficientes.
Segundo ele, o risco de greve agora é menor porque o governo já atendeu a outras demandas dos caminhoneiros, como melhorias em estradas e que o preço do diesel não é a principal queixa.
O reajuste anunciado nesta quarta varia de 4,5% a 5,1%, dependendo do ponto de venda - a estatal vende diesel em 35 locais diferentes.
Castello Branco disse confiar em garantias dadas pelo governo sobre manutenção da liberdade de preços. "Não tenho nenhuma razão para não acreditar no presidente Bolsonaro. Pelo contrário, eu acredito muito nele", afirmou.


