Brasília - A disputa pelo gás natural entre as termelétricas revelou um furo no modelo do setor elétrico que, na avaliação da Petrobras, pode comprometer a estabilidade do sistema. Indústrias e outros grandes consumidores que se aproveitaram do custo baixo da energia no chamado mercado livre (espécie de bolsa de valores do comércio de energia) já não estão conseguindo fechar contratos com preços que possam pagar. Além disso, de acordo com a avaliação da estatal, há indícios de ‘‘des-casamento’’ entre a energia contratada nesse mercado e a física (que existe realmente).
A preocupação da Petrobras foi formalizada em ofício ao ministro Silas Rondeau (Minas e Energia). Assinado pelo diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, o ofício DG&E-067, encaminhado em novembro, informa que há ‘‘indícios de descasamento entre balanços físico e contratual de consumidores livres, de comercializadores’’ e sugere ao ministério que faça ‘‘uma investigação detalhada face às conseqüências para a estabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional), ou seja, os demais consumidores de energia’’.
A origem do problema é o excesso de energia no período pós-racionamento decorrente do apagão de 2001. Com muita oferta, o preço da energia no mercado livre (do qual só participam grandes consumidores, como indústrias e shoppings) despencou.

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