Pessutti participa de audiência com Rodrigues
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O vice-governador e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessutti, espera participar hoje ou amanhã de uma audiência em Brasília, com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na tentativa de chegar a um acordo para o impasse criado entre ministério e governo estadual sobre a existência ou não de um foco de aftosa no Paraná. A reunião está sendo marcada por intermédio de alguns deputados da bancada paranaense.
Seja qual for o resultado da reunião com o ministério, o governo do Estado ingressará com ação judicial para obter ressarcimento dos prejuízos em função da decretação do foco da doença. Pessutti não soube precisar que via judicial será acionada, o que deve ser decidido posteriormente pela Procuradoria Geral do Estado.
''Todos os exames, inclusive os feitos pelo próprio ministério, mostram a ausência do vírus da aftosa'', disse o vice-governador na reunião do secretariado, ontem de menhã. De acordo com ele, até mesmo os exames feitos com amostras colhidas nos animais da Fazenda Cachoeira, e provenientes da Fazenda Bonanza, propriedade do Mato Grosso do Sul onde surgiu o primeiro foco, apresentaram resultados negativos. ''Queremos que o ministério não só reconheça que não há foco de aftosa, como também reconheça o Paraná como livre de aftosa'', ressaltou.
Pessutti resaltou, ainda, que por enquanto o governo tenta derrubar o foco de aftosa pela via administrativa. A proposta do Estado é que técnicos do ministério venham ao Paraná para fiscalizem as fazendas e, assim, a posição federal seja revista. ''Se não for possível, como já disse o governador, podemos até vir a sacrificar os animais, para não sofrer mais sanções nem dar mais motivos de prejuízos ao Paraná'', reconheceu.
Para se contrapor às últimas declarações do ministério, o vice-governador citou pareceres de especialistas das universidades de Londrina e de Maringá. ''Um diz que no mínimo o ministério deu um chute. O outro, que não tinha como fundamentar a argumentação do ministério para estabelecer um foco onde não havia isolamento para identificação do vírus. Não sou eu quem está dizendo. São os especislistas. Um é patologista e o outro virologista, e eles dizem que não se pode decretar a doença com base na sorologia, porque dezenas de doenças são detectadas na sorologia positiva. Por isso é que existem outros exames mais eficazes e conclusivos, e esses que estão dizendo que não tem vírus nem febre aftosa no Paraná'', concluiu.
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal, que investiga a confirmação do foco de febre aftosa no Paraná, se reunirá hoje às 16 horas com Rodrigues para definir um acordo de conduta para visitas à Fazenda Cachoeira e a cinco propriedades paranaenses sob suspeita da doença. (Colaborou Fábio Galão)


