O vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, esteve ontem em Londrina para participar do 5º Fórum de Defesa contra a Febre Aftosa. Em entrevista coletiva, ele criticou a atitude da Sociedade Rural do Paraná de divulgar laudos não oficiais de que os animais colocados sob suspeita pela Secretaria não estão com a doença. Ele também disse que o governo ainda não tem qualquer plano de ajuda aos municípios isolados pelas barreiras sanitárias impostas pela Seab e que a iniciativa de decretar ''estado de emergência'' deve partir de prefeitos e vereadores das cidades afetadas.
Pessuti disse que ''nunca teria tomado uma atitude como a da Sociedade Rural'', que apresentou na última sexta-feira, durante entrevista coletiva, laudos não oficiais de que o gado isolado pela Seab não apresenta qualquer sintomatologia de febre aftosa. Os laudos foram feitos por médicos veterinários, contratados pelos próprios pecuaristas. O presidente da Rural, Edson Neme Ruiz, rebateu as críticas e disse que a entidade representa o produtor rural e que a coletiva foi solicitada pelos pecuaristas que sentiram a necessidade de dar explicações sobre fatos que vinham sendo divulgados erroneamente.
O vice-governador disse que o governo do Estado ''está agindo com responsabilidade'' ao isolar os municípios que têm suspeita de febre aftosa. ''Prefiro ser criticado posteriormente pelo excesso do que pela omissão de não termos feito nada para que a doença não se alastrasse'', afirmou. Ele disse que se não for comprovada a febre aftosa no Paraná, o governo estadual, em parceria com o governo federal, ainda irá estudar meios para indenizar os pecuaristas que foram afetados de alguma forma pela suspeita da doença. ''O governo federal terá que repassar algum recurso para isso, mas os valores só serão definidos depois de divulgados os exames'', frisou.
Ele acrescentou que o Paraná ainda não calculou os prejuízos com a suspeita de foco da doença. Segundo Pessuti, prefeitos e vereadores dos municípios que foram isolados por barreiras sanitárias têm que avaliar se é necessário o decreto de 'estado de emergência'. ''Eu não tenho que achar nada, são os prefeitos que têm que achar alguma coisa e decretar'', disse. O secretário ainda afirmou que o governo estadual tem toda a infra-estrutura adequada para realizar a defesa sanitária.
A falta de estrutura vem sendo criticada por pecuaristas e membros de entidades de classe que representam os veterinários. Segundo ele, a Seab tem a infra-estrutura recomendada pelo Mapa e pela Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE) que, inclusive, teria feito uma auditoria na estrutura da Seab. Ele também citou investimentos que o governo estadual tem feito na defesa da sanidade animal.
Segundo ele, nos dois últimos anos o governo federal não liberou nenhum recurso para a defesa da sanidade animal do Paraná, enquanto o governo estadual investiu cerca de R$ 26 milhões somente em 2004. Neste ano, a previsão do governo é liberar cerca de R$ 30 milhões.

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