O deputado Orlando Pessuti, presidente do Bloco Parlamentar Agropecuário da Assembléia Legislativa, está iniciando, esta semana, uma série de ações para manter o Paraná mobilizado contra a febre aftosa. Pessuti defende medidas mais efetivas nas divisas com outros Estados pois qualquer descuido pode ser fatal.
Na terça-feira, ele enviou ofício ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, solicitando que o Exército brasileiro dê apoio às equipes técnicas que executam a fiscalização.
‘‘Não são necessários tanques, mas um efetivo bem maior para atuar nas estradas ou onde for necessário.’’ A presença física dos soldados é estratégica, sugeriu o parlamentar, tanto nas divisas estaduais como nas fronteiras com Paraguai, Argentina e Bolívia.
Segundo Pessuti, ‘‘só com muito empenho conseguiremos preservar o circuito Centro-Oeste e a conquista obtida após três décadas de luta’’. Para ele, a fiscalização tem que ser rigorosa pois o Paraná trabalhou muito para obter o certificado concedido pela Organização Internacional de Epizootias como zona livre de aftosa com vacinação. Agora que temos a perspectiva de novos mercados não podemos permitir que caos da doença volte a ser registrado’’, disse.
Durante visita, ontem, ao diretor-superintendente deste jornal, José Eduardo de Andrade Vieira, o deputado Pessuti comentou o ‘‘risco de um grande prejuízo’’, em caso de disseminação da doença.
Pessuti, que é médico veterinário, lembrou os avanços no campo da sanidade animal alcançados a partir de medidas adotadas por determinação de José Eduardo, em 1995, quando Ministro da Agricultura. ‘‘Dias atrás, no meu pronunciamento sobre momentos tão graves que vive a sanidade pecuária, lembrei de dois pontos importantes: a grande largada para erradicação da febre aftosa e a portaria ministerial que desencadeou todo o processo de melhoria da carne, como embalagem, procedência, características, etc.
Uma análise da trajetória do controle da doença faz aumentar a responsabilidade das autoridades atuais. Afinal, o País investiu num programa de controle - como lembram o deputado Pessuti e José Eduardo de Andrade Vieira. O ex-ministro cita, a propósito, que foi feito empréstimo junto ao Banco Mundial, que os Estados investiram no projeto criando uma estrutura de controle e que os pecuaristas, por sua vez, também participam através do recolhimento de taxas para o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária (Fundepec). Tanto empenho, desde 1995, não pode ficar comprometido - neste momento - por falhas no controle preventivo. É o que se pretende evitar, segundo o deputado.
José Eduardo sugeriu que se estimule a discussão em torno do zoneamento. Ele acha que a ‘‘declaração de zona livre da aftosa’’ seja considerada por Estado e não por região. Para o Estado do Paraná, por exemplo, não é nem um pouco conveniente pertencer ao mesmo bloco (Circuito Centro-Oeste) que São Paulo e Mato Grosso. ‘‘Não tem nada a ver.’’ Caso um desses Estados do circuito venha a ter problema, o Paraná acaba prejudicado.
Embalagem Sobre embalagem e identificação da carne bovina (portaria 304), Pessuti defendeu a rápida aplicação das medidas previstas. Idem com relação à desossa (portaria 145).
O deputado compara: ‘‘Ao comprar um frango, o consumidor tem direito à informações básicas como procedência, frigorífico, peso, data de abate, vencimento, etc. Por que o mesmo não ocorre com a carne bovina?’’ - questiona.
Pessuti citou uma grande rede de supermercados que pratica a rastreabilidade de toda a cadeia produtiva da carne bovina. Através do código de barra o consumidor tem todas as informações da carne do boi, inclusive paternidade.
Segundo José Eduardo, apenas duas boutiques de carne, em Curitiba, e a rede Carrefour estão seguindo esse critéiro, previsto na portaria 304, de 1995. Ele seguiu modelo da Inglaterra e França, que considerou exemplar e que beneficia tanto consumidor como produtor.
O médico veterinário Juarez Deconto, do Ministério da Agricultura, também reconheceu a importância da portaria 304. Ela determina a identificação do produto: espécie, tipo da carne, sexo do animal, número do lote, indústria, produtor, conservação em temperatura de 7 graus, etc. Mas sua aplicação está sendo feita por etapas, ‘‘dentro da realidade brasileira’’, informou. O técnico disse que na capital o cumprimento da portaria está sendo exigido e que já houve punição a infratores.

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