Os computadores da Receita possuem programas sofisticados, de inteligência artificial, que ajudam a cruzar as mais diferentes bases de dados, de cartões de créditos a registros em imobiliárias, de vendas de embalagens a movimentação financeira. Os fiscais os chamam de ''Big Brother'', numa alusão ao romance ''1984'', em que George Orwell retrata um mundo futurista onde nenhum segredo é possível, pois todos são vigiados pelo ''grande irmão''.
O refinamento na escolha dos alvos de fiscalização explica por que o valor das autuações cresceu no ano passado, apesar de haver ocorrido uma redução de contribuintes fiscalizados. Foram 59.030 em 2004, contra 68.392 em 2003.
As pessoas físicas tampouco escaparam do aperto da fiscalização. No ano passado, a Receita fez uma operação especial sobre profissionais de saúde e instituições de ensino, para flagrar casos de deduções indevidas na declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). ''Vamos fazer o mesmo este ano'', disse Rachid.
No primeiro trimestre deste ano, os fiscais estarão concentrados nas pessoas físicas. No ano passado, foram fiscalizadas 46.971 pessoas (em 2003 haviam sido 68.392), que foram autuadas, no total, em R$ 3,816 bilhões. Dessas, 2.291 eram profissionais liberais e autônomos, menos que os 2.549 de 2003. O grupo mais autuado, porém, foi o de proprietários e dirigentes de empresas: um grupo de 1.663 foi autuado em R$ 1,198 bilhão.
Prazo A Receita Federal esclareceu que prorrogou para hoje o prazo para as empresas apresentarem as declarações cujo prazo venceria ontem, como é o caso da declaração da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), a Declaração de Operações Imobiliárias (DOI) e a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) dos setores de bebida e cigarros, entre outros. O adiamento foi necessário porque os computadores do Serviço de Processamento de Dados (Serpro), que administra os dados da Receita Federal, foram atingidos por um vírus na semana passada, o que causou lentidão.

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