Nem mesmo o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 15% conseguiu despertar o interesse de pessoas físicas pelo leasing. A maior parte dos clientes dos bancos e financeiras ainda são empresas que recorrem ao arrendamento mercantil para renovação da frota de veículos ou para a compra de novos equipamentos.
Segundo a Associação Brasileira de Leasing (Abel), as operações feitas pelas pessoas físicas representam apenas 1,5% do total. De janeiro a maio, por exemplo, os financiamentos feitos por leasing somaram US$ 2,9 bilhões. As pessoas físicas responderam por apenas US$ 40 milhões.
A razão para esta procura reduzida, diz o vice-presidente da Abel, Rafael de Campos Cardoso, é mais cultural do que financeira. Financeiramente, as operações de leasing sofrem apenas a incidência de Imposto Sobre Serviços (ISS) - o equivalente a 0,5% -, enquanto as operações de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) pagam 15% de IOF.
Apesar dos números favoráveis, a resistência dos brasileiros à operação é provocada pelas características do financiamento. Sempre que um bem é arrendado por leasing, o nome do proprietário só figura no contrato quando o equipamento é definitivamente adquirido. Enquanto a operação não é finalizada - a opção de compra passa a valer apenas no final do financiamento -, o proprietário do bem continua sendo o banco ou a empresa financeira que assinou a operação. ‘‘A pessoa se sente insegura por não ter seu nome no contrato’’, explica o vice-presidente da Abel.
Outra razão que estaria afastando as pessoas físicas do leasing seria a rigidez dos prazos. O tempo mínimo da operação de leasing é de 24 meses e o máximo, 36 meses. E as obrigações contratuais impedem que o bem seja quitado antes do prazo. Para Cardoso, os brasileiros também estranham esse tipo de condição, já que estão acostumados a eliminar parcelamentos de consórcios e de outros tipos de financiamentos comuns na compra de imóveis, por exemplo.
Campos Cardoso afirma ainda que a baixa procura não incomoda as empresas do setor. Historicamente, explica, os clientes-foco da operação são as pessoas jurídicas que usam o leasing para patrocinar investimentos na produção. Mesmo assim, afirma, há interesse em conquistar novos clientes, aumentando a base financeira. ‘‘Mas a possibilidade de estender o leasing para financiamento de eletrodomésticos, como no caso do CDC, ainda é remota’’, diz. Um dos maiores temores é a inadimplência. (C.P.)

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