Pessoas de renda menor viajam mais de avião
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de junho de 2007
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Com as frequentes crises, atrasos e ''apagões aéreos'' registrados este ano, houve uma mudança em junho no perfil de passageiros que passaram pelos aeroportos. Pessoas com renda menor estão viajando mais de avião e pessoas com renda mais elevada estão usando outras opções de transporte. A informação consta de corte especial da pesquisa ''Sondagem das Expectativas do Consumidor'', cujas respostas são usadas para cálculo do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Foi o maior percentual de entrevistados, para esse tipo de pergunta, nessa faixa de renda desde a criação do ICC, em setembro de 2005. ''Ou seja: quase um quarto dessas famílias, nessa faixa de renda, está viajando de avião'', afirmou Campelo. Ele comentou que, para esse tipo de pergunta, é mais correto comparar com igual mês do ano anterior, devido à sazonalidade do período - costumeiro para viagem de férias. O economista considerou que, com as crises enfrentadas pelo setor aéreo, as empresas do setor realizaram muitas promoções nos preços de passagens, que em alguns casos se equivalem ao preço de uma passagem de ônibus. Na avaliação do economista, isso estimulou as famílias nessa faixa de renda, que não viajam frequentemente de avião, a optar por esse tipo de transporte. ''Para eles, é praticamente uma novidade'', considerou.
Em contrapartida, entre as famílias de renda acima de R$ 9.600, a parcela dos entrevistados que revelaram intenção de viajar de avião caiu de 56,6% para 54%, de junho de 2006 para junho deste ano. O economista considerou que essa faixa de renda tem poder aquisitivo suficiente para optar por outros tipos de transporte, mais caros.
Esse comportamento dos consumidores inseridos em faixa de renda menos elevada diminuiu a participação desse tipo de passageiro em viagens de ônibus, no mesmo período. De acordo com Campelo, entre os entrevistados com renda familiar até R$ 2.100, a parcela dos que pretendem viajar de ônibus caiu de 22,2% para 16,2%, de junho do ano passado para junho deste ano.


